sábado, 3 de outubro de 2009

Festa das Cabanas! A Festa dos Paradoxos!

Hoje começou a festa de Sucot, que significa "Cabanas". Aqui em Israel é uma das festas mais animadas, de um clima muito festivo. Por ser a festa que marca o início do outono e do período das chuvas, todos sentem um clima de esperança, de otimismo, já que as chuvas aqui são impresindíveis e já que somente chove entre setembro e março, e depois disto não cai uma única gota sequer.
Basicamente a festa se resume em construir uma cabana ( e o País se reveste delas por todas as partes), e fazer algumas refeições no seu interior. A idéia é lembra o período que nosso Povo peregrinou durante 4o anos no deserto antes de se fixar em Israel. Dentro da Sucá, se realiza refeições festivas, onde são abençoados vários produtos típicos desta época. No Beit Haknésset (Sinagoga), se realizam agumas serimonias especias (que não vou detalhar aqui), mas a mais significativa é a do Lulav, que é um conjunto de quatro espécies especiais da Terra de Israel, e que devem ser usadas, e "movidas" (agitadas) durante um certo período do Shaharit (reza matutina).






Pelo vídeo dá para se ter uma idéia do clima de festividade! Porém existe algo que parece não combinar bem com toda essa alforia. É sabido que durante a reza nos dias de festa, se lêem trechos especiais do Tanach (Bíblia Judaica que compreende o chamado "Antigo Testamente"). Geralmente o texto combina muito bem com o clima da festa. Por exemplo, em Yom Kippur (Dia do Perdão) lê-se (além de outras leituras da Torá, o livro do Profeta Yoná (Jonas). Porquê?
A resposta é simples. Yom Kippur fala de arrependimento e perdão. O livro do Profeta Yoná conta a históira do Povo de Nínive, que se arrependeu e foi perdoado por D´s!
Porém em Sucót, que é uma festa de alegria, foi escolhida pelos Rachamim para leitura, o livro de Kochélet (Eclesiastes)! O "estranho" é que o livro de Kohelete é um dos livros do Tanach que mais apresente uma visão pessimista da vida.

"Vaidade de vaidades! diz o pregador, vaidade de vaidades, tudo é vaidade." Ecles. 1:2

Salomão, que na juventude havia escrito "Cantares", um hino a beleza, ao amor e ao sexo; que na madurez escreve um livro de "Provérbios", crendo ter as diretrizes para uma vida de exito, mas chega na velhice e acredita que tudo foi em vão!

Vídeo com a leitura da Meguilát Kohélet (Livro de Eclesiastes) em hebraico.




Onde podemos encontrar o equílibrio para entendermos o paradoxo da alegria da festa de Sucot, com a Meguiláh escolhidas pelos nossos mestres, para ser lida na reza?

Por coincidência, acho que tive a resposta na prática, hoje, no primeiro dia da Festa de Sucot.
Um amigo meu me telefonou durante a semana e me convidou pra sair com ele e a esposa e um grupo de amigos pra comemorar o aniversário dele. O local escolhido, um Pub.
Eu tinha motivos para não ir, mas por ele decidi ir.
Chegamos lá, música muito alta, garotas muito pobres ( pobrezinhas, não tem dinheiro pra compra roupa! quase nuas, tadinhas!), cigarro normais e outros meios suspeitos, e alcool, muito alcool. Vodka, wisk, cerveja, run, arak, e a mistura delas todas!
O problema é que eu não posso tomar nem uma gota de alcool. Estou recebendo uma medicação que não pode em hipótese alguma ser misturada com alcool. Se tomo algo alcoolico, corro o grave risco de perder o fígado. Fumar eu não fumo. As garotas que nos acompanhavam, ou eram casadas ou feias demais pra serem encaradas sem um pouco de "bardal" no sangue. Resultado, foi horrível. Estar alí, no meio daquela baderna sem uma gota de alcool no sangue, ma fazia sentir como se eu estivesse num manicômio! Todo mundo prá lá de bagdá e eu com cara de freira em festa de aniversário de sobrinho adolescente. Tinha uma mina lá que "adorava brasileiro". Ela morre por "conhecer" (sentido bíblico da palavra!) um brasileiro bem de perto, mas bem de pertinho mesmo! O problema é que o oposto não passava nem perto. Talvez depois de umas três horas enchendo a cara, e por amor a pátria e com a ajuda de um travesseiro(já que aqui não tenho bandeira do Brasil), desse para encarar, mas limpinho como eu tava, sem chance!
Resultado. Pedí desculpas pro meu amigo. Paguei minha conta (duas Pepsi's) e puxei o carro.
Onde quero chegar? Que assim como diz Shlomô HaMelech, "tudo não passa de uma grande vaidade". Até a diversão é uma ilusão. Pra se divertir, (pelo menos nesse contexto que eu estava), um tem que se "aditivar", senão não tem graça.
Parece que a intenção dos Rachamim (Sábios) não era ir contra a alegria (ao determinar a leitura do livro de Eclesiastes), mas sim fazer lembrar que a vida é como uma colcha de retalhos, e que nada deve ser levado ao extremo. Alegrar-se sim, afinal começam as chuva, a colheita, as frutas do outono, a Terra renasce, os rios brotam. Eretz Israel (Terra de Israel) engravida, e se prepara para dar a luz na Primavera ( como o Pessach - Páscua). Alegremo-nos! Porém!!! não nos esqueçamos. Alegria é só um lado da vida. Existem muitos outros que também devem ser cultivados, para se alcançar uma vida equilibrada e não nos arrependermos mais tarde, como se arrependeu o velho Shlomo HaMelech (Salomão).

Chag Sameach a Todos.





P.S.; O vídeo acima contém a música "Shlomit boná Suca" (Shlomit constrói uma cabana), que é a música símbolo da Festa de Sucot!

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