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sábado, 19 de junho de 2010

Eles se vão e nós permanecemos...

Fatah - Saramago mostrou ao mundo que a causa palestina é universal


É de conhecimento geral que Saramago tinha uma opinião crítica feroz contra o Estado de Israel. Em seu zelo comunista e ódio por tudo o que se aproxime ao E.U.A, chegou a ofender a memória dos milhões que repereceram no Holocausto. Como a grande maioria da Esquerda Intenacional, era um feroz anti-semita.
Era também ateu ( e não quero dizer que uma coisa tenha a ver com a outra) e por isso um crítico da religião instituída. Interessante que pouco falou sobre os abusos, crímes e violências causados pelo Governo Ateu da antiga e extinta U.R.S.S.
Porém, esta morto! E assim tem se repetido a mesma história de quase três mil e quinhentos anos. Os inimigos e perseguidores do Povo de Israel, se levantam, esbravejam, fazem seus estragos e se vão. Egito, Babilônia, Pérsia, Grécia, Roma, Alemanha Nazista e tantos outros. Surgiram e brandiram suas espadas de ódio e sangue contra o Povo do Livro. Porém eles se foram e nós permanecemos. Dentre eles, muitos esquecidos, ouvidados, outros odiados. Dentre nós, nomes do nosso povo são cantados nos louvores de milhões de crentes por todo o mundo, ou premiados por sua contribuição para o bem da humanidade, pelas artes ou conhecimento humano.
D´s em sua bendita bondade, tem ouvido nossas súplicas:

"Que para os caluniadores não haja esperança, que os hereges sejam prontamente aniquilados, e que os inimigos do Teu Povo sejam depressa extirpados. E os malvados - depressa destroça-os, quebra-os, oprime-os, abate-os, humilha-os, e domina-os. Bendito sejas Tu, Eterno que quebras os inimigos e dominas os malvados". Sidur Completo, Jairo Fridlin, São Paulo Brasil. 1997.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Os Judeus e o Prêmio Nobel*

Ao todo, 152 personalidades judaicas já receberam o Prêmio Nobel desde 1901.


N.E.: Esta matéria foi escrita provavelmente em 2004, estando assim bem desatualizada com relação aos números.


Desde seu lançamento, em 1901, o Prêmio Nobel foi conferido a 700 personalidades – 152 delas judeus. É uma estatística que impressiona: os judeus são, hoje um grupo de quase 13 milhões para o Escritório Central de Estatísticas de Israel, 14 milhões para a Enciclopédia Britânica de 1999 e cerca 16 milhões para outras fontes, num planeta habitado por 6 bilhões de pessoas. Mas são os responsáveis por grande parte das grandes novidades científicas e dos avanços na medicina no mundo todo, deste e do século passado.
Ao todo, já receberam o Prêmio Nobel de Literatura 12 judeus, o Nobel da Paz outros 9 judeus, o de Química 25, incluindo os dois israelenses deste ano, Avram Hershko e Aaron Ciechanover, o de Economia 15, o de Medicina, a impressionante quantidade de 50 judeus e a expressiva do de Física 41. Outros israelenses que já receberam o Nobel foram, em 1978, o então primeiro-ministro Menahem Begin, que dividiu o Nobel da Paz com o presidente egípcio Anuar Sadat; em 1994, o ministro das Relações Exteriores, Shimon Peres, e o primeiro-ministro Yitzhak Rabin, com o Nobel da Paz. E, em 1966, Shmuel Yosef Agnon conquistou o Nobel de Literatura com a escritora sueca Nelly Sachs, também judia.
Um livro divulgado no Reino Unido, preparado por um advogado de Nova York – Michael Shapiro – atiçou ainda mais a mística sobre uma suposta inteligência apurada dos judeus.
Depois de fazer pesquisas com filósofos, rabinos, escritores, cientistas, Shapiro produziu a lista dos cem mais importantes judeus. Nela, estão alguns dos maiores pensadores e criadores da humanidade. Moldaram o que pensamos e até como nos vestimos.
Afinal, existe algum segredo?
O livro já começou a receber críticas antes mesmo de ser publicado. A polêmica começa logo no topo da lista. O vencedor, em primeiro lugar, é Moisés, libertador dos judeus escravizados do Egito e, mais importante, divulgador dos Dez Mandamentos que orientaram os limites da ação humana civilizada.
Ficou em segundo lugar Jesus. Perdeu porque seu nome teria sido usado e abusado para servir em massacres, perseguições e intolerância: a Inquisição, por exemplo.
A lista tem vários consensos. Karl Marx, Sigmund Freud, pai da psicanálise e Albert Einstein, pai da física. Além disso, fazem companhia Levi-Strauss, criador da calça jeans, a peça de roupa mais usada no mundo e Steven Spielberg.
Mais unanimidade: Abraão, criador do conceito do monoteísmo, absorvido pelo islamismo, catolicismo e protestantismo. Num dos maus célebres símbolos de rebeldia, ele destruiu estátuas de deuses.
Abraão está junto de dois americanos, conta Shapiro, Jerry Siegel e Joe Shster, criadores do Super-Homem. O próprio Super-Homem, conta Shapiro, seria “judeu”, batizado com o nome hebraico “Kalel”, antes de chegar à Terra. Uma invenção de marketing para atacar o anti-semitismo que reinava nos EUA.
Como um povo tão pequeno, consegue gerar tantos super-homens intelectuais?
O segredo é que não existe segredo.
Por motivos religiosos, o analfabetismo é inexistente entre os judeus. Aos 13 anos, o menino é obrigado a subir ao púlpito e ler trechos do Livro Sagrado (Bar-Mitzvá). Portanto, ele deve saber ao menos uma língua. Os judeus são ensinados a reverenciar a rebeldia intelectual – rebeldia sintetizada em Abraão, ao destruir os deuses e inaugurar o monoteísmo.
Nenhum povo foi tão perseguido e humilhado por tanto tempo como os judeus, o que gerou uma série de efeitos colaterais. Um deles é o valor da Educação para a sobrevivência. Podem arrancar suas terras, propriedades, mas não o que está em sua cabeça.
Alfabetização universal, rebeldia e reverência à educação como arma de sobrevivência – são a base fundamental, mas não explicam os super-homens intelectuais. Eles tiveram que ser dotados de extraordinária inteligência e, não menos importante, viver no lugar certo na hora certa. Desenvolveram suas idéias nas cidades iluminadas culturalmente, centros de debate e reflexões.
Ou seja, não existe nenhum segredo dos judeus escondido na genética ou escolha Divina. Apenas o óbvio: Culto à Educação. É uma característica de todo e qualquer ser inovador, seja branco, negro, amarelo, homem ou mulher. Ou de qualquer país que progride.
Em situações normais, sem perseguição, os judeus trabalham e conseguem empregos como qualquer outra pessoa. Em Nova York, um judeu ficou famoso e mereceu uma reportagem do The New York Times, simplesmente porque era mendigo.

Judeus com Nobel:


Literatura:1910 - Paul Heyse, 1927 - Henri Bérgson, 1958 - Boris Pasternak, 1966 - Shmuel Yosef Agnon, 1966 - Nelly Sachs, 1976 - Saul Bellow, 1978 - Isaac Bashevis Singer, 1981 - Elias Canetti, 1987 - Joseph Brodsky, 1991 - Nadine Gordimer, 2002 – Imre Kertesz e 2004 - Elfriede Jelinek.


Paz: 1911 - Alfred Fried, 1911 - Tobias Michael Carel Asser, 1968 - Rene Cassin, 1973 - Henry Kissinger, 1978 - Menachem Begin, 1986 - Elie Wiesel ,1994 - Shimon Peres e Yitzhak Rabin e 1995 – Joseph Rotblat.


Química: 1905 - Adolph Von Baeyer, 1906 - Henri Moissan, 1910 - Otto Wallach, 1915 - Richard Willstaetter, 1918 - Fritz Haber, 1943 - George Charles de Hevesy, 1961 - Melvin Calvin, 1962 - Max Ferdinand Perutz, 1972 - William Howard Stein, 1977 - Ilya Prigogine
1979 - Herbert Charles Brown, 1980 - Paul Berg e Walter Gilbert, 1981 - Roald Hoffmann,
1982 - Aaron Klug, 1985 - Albert A. Hauptman e Jerome Karle, 1986 - Dudley R. Herschbach, 1988 - Robert Huber, 1989 - Sidney Altman, 1992 - Rudolph Marcus, 1998 – Walter Kohn, 2000 - Alan J. Heeger, 2004 - Avram Hershko e Aaron Ciechanover.


Economia: 1970 - Paul Anthony Samuelson, 1971 - Simon Kuznets,1972 - Kenneth Joseph Arrow, 1975 - Leonid Kantorovich, 1976 - Milton Friedman, 1978 - Herbert A. Simon, 1980 - Lawrence Robert Klein, 1985 - Franco Modigliani, 1987 - Robert M. Solow
1990 - Harry Markowitz e Merton Miller, 1992 - Gary Becker, 1993 - Rober Fogel, 1994 – John C. Harsanyi e 2002 – Daniel Kahneman.


Medicina: 1908 - Elie Metchnikoff, 1908 - Paul Erlich, 1914 - Robert Barany, 1922 - Otto Meyerhof, 1930 - Karl Landsteiner, 1931 - Otto Warburg, 1936 - Otto Loewi, 1944 - Joseph Erlanger e Herbert Spencer Gasser, 1945 - Ernst Boris Chain, 1946 - Hermann Joseph Muller, 1950 - Tadeus Reichstein, 1952 - Selman Abraham Waksman, 1953 - Hans Krebs e Fritz Albert Lipmann, 1958 - Joshua Lederberg, 1959 - Arthur Kornberg, 1964 - Konrad Bloch, 1965 - Francois Jacob e Andre Lwoff, 1967 - George Wald, 1968 - Marshall W. Nirenberg, 1969 - Salvador Luria, 1970 - Julius Axelrod, 1970 - Sir Bernard Katz, 1972 - Gerald Maurice Edelman, 1975 - David Baltimore e Howard Martin Temin, 1976 - Baruch S. Blumberg, 1977 - Rosalyn Sussman Yalow e Andrew V. Schally, 1978 - Daniel Nathans, 1980 - Baruj Benacerraf, 1984 - Cesar Milstein, 1985 - Michael Stuart Brown e Joseph L. Goldstein, 1986 - Stanley Cohen e Rita Levi-Montalcini, 1988 - Gertrude Elion,
1989 - Harold Varmus, 1991 - Erwin Neher e Bert Sakmann, 1993 - Richard J. Roberts e
Phillip Sharp, 1994 - Alfred Gilman e Martin Rodbell, 1995 - Edward B. Lewis, 1997 - Stanley B. Prusiner, 2000 - Eric R. Kandel e 2002 - H. Robert Horvitz.


Física: 1907 - Albert Abraham Michelson, 1908 - Gabriel Lippmann, 1921 - Albert Einstein
1922 - Niels Bohr, 1925 - James Franck, 1925 - Gustav Hertz, 1943 - Gustav Stern, 1944 - Isidor Issac Rabi, 1952 - Felix Bloch, 1954 - Max Born,1958 - Igor Tamm, 1959 - Emilio Segre, 1960 - Donald A. Glaser, 1961 - Robert Hofstadter, 1962 - Lev Davidovich Landau
1965 - Richard Phillips Feynman e Julian Schwinger,1969 - Murray Gell-Mann,1971 - Dennis Gabor,1973 - Brian David Josephson,1975 - Benjamin Mottleson, 1976 - Burton Richter, 1978 - Arno Allan Penzias e Peter L Kapitza, 1979 - Stephen Weinberg e Sheldon Glashow, 1988 - Leon Lederman, Melvin Schwartz e Jack Steinberger, 1990 - Jerome Friedman, 1992 - Georges Charpak,1995 - Martin Perl, 1995 - Frederik Reines,
1996 - Douglas D. Osheroff e David M. Lee, 1997 - Claude Cohen-Tannoudji,1999 - Martinus J. Godefriedus Veltman, 2002 - Raymond Davis, 2003 - Vitaly Ginzburg, 2004 - David J. Gross e David Politzer.

Fonte: Visão Judaica, número 26.


sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O Fator X dos Judeus.


Cinquenta anos de petróleo e de ilimitados recursos, dezenas de países e milhões de cidadãos, não foram suficientes para dar um só Premio Nobel ao mundo. Cinquenta anos de Israel, com escassa população e recursos limitados, deram (ao mundo) mais de uma dezena.


Calmos, todos quietos. Que não se assuste Maruja Torres nem toda a corte dos que martelam os hereges israelenses e que habitam nas esquinas do dogmatismo progressista. Este artigo não vai ao Oriente Médio, talvez porque o verão, apesar de suas sombrias notícias, resiste a abandonar as boas intenções. Ademais, a persistente lógica perversa da maldade terrorista cai por seu próprio peso, mais além das tentativas que alguns têm em demonizar tudo o que cheira a ocidental, e perdoar paternalmente o que se cozinha nas montanhas onde cavalgam os novos Almanzor1. Em todo este denso e complexo conflito, entre uma ideologia niilista totalitária, com vocação imperial, e o código ético-político da modernidade, há os que são tão anti-ocidentais, que acabam sendo antimodernos. E por modernidade entendo os valores históricos que se consolidaram num modelo de sociedade livre. Para dizê-lo com um símile da própria colheita que me parece simpático: há os que vêem um padre católico e lhes sai um eczema, mas se vêem um imã nas montanhas do Líbano, têm um orgasmo. Imagine-se a histeria se vêem um rabino...

Dizia que o artigo era de outra coisa. Na quinta-feira passada, nesse edifício mágico de Puig i Cadafalch que hoje abriga a Casa Ásia, vivemos uma estranha e feliz tarde de verão. O professor de ciências políticas Xavier Torrens e Jaime Huberman, porta-voz da comunidade judaica Bet Shalom da Catalunha, convidaram-nos a refletir sobre o "fator X dos judeus", talvez inspirados por esse estimulante programa musical que faz sucesso no Quatro. Que fator cultural, religioso, histórico, inclusive até genético poderia explicar as surpreendentes cifras que rodeiam os inumeráveis escritores, pensadores, diretores de cinema, músicos, criadores de todo tipo que surgiram do povo judeu? Que um grupo humano que representa menos de 0,2% da população mundial tenha dado à humanidade mais de 20% dos prêmios Nobel, entre eles alguns dos últimos, está fora de toda estatística e, certamente, de toda lógica. Chaves na literatura mundial, com alguns eventos no século XX que marcaram a fogo gerações inteiras — com Marcel Proust à frente —,
também foi a contribuição judaica a que assentou as bases do pensamento moderno. A anedota resume isso de forma magnífica: um dia, um judeu subiu a montanha e, ao retornar, assegurou: "Deus é a verdade, e a verdade está na lei". Chamava-se Moisés. Séculos depois, outro judeu asseverou: "A verdade é Deus, e Deus é amor". Chamava-se Jesus. Depois apareceu outro que, sem amor divino, declarou que a verdade era o dinheiro. Era um tal de Karl Marx. Depois chegou Freud e situou a verdade algo mais abaixo do bolso, na parte crucial entre as pernas. E, para fechar o círculo, apareceu o judeu Einstein e varreu tudo: "A verdade é relativa". Nada da filosofia, da matemática, da física, da medicina, da literatura, da música, nada relevante no terreno do pensamento, da ciência e da criação pode-se explicar sem a extraordinária contribuição do povo judeu. E sempre foram muito poucos. E sempre foram perseguidos como ratos.

Fator X? Lá estávamos, numa sala cheia, com gente pelos corredores e o chão servindo de cadeiras, tentando dar resposta a um enigma particular. O historiador Joan Culla analisou a contribuição política, Xavier Torrens se atreveu com a criatividade, Vicenç Villatoro com a literatura, eu apurei algumas idéias sobre a contribuição ao pensamento, o rabino Ariel Edery batalhou com a superação na adversidade e, com a ajuda de Jaime Huberman, que nos acolheu nesse espaço de liberdade e cultura que são as pessoas do Bet Shalom, saíram algumas idéias apresentáveis. Este é o aperitivo de uma reflexão coletiva apaixonante e, com certeza impossível. O fator não é genético. No povo judeu há de tudo, como em todas as farmácias, desde cérebros brilhantes a gente de limitada ambição mental, mesmo que a porcentagem de gênios esteja fora de toda curva estatística. O fator não é religioso, já que parece que os deuses só iluminam os caminhos quando alguém acende as velas. Tampouco parece ser um fator histórico, ainda que a carga pesada de sua difícil história tenha conformado um instinto sobrenatural de superação. Xavier Torrens falou do valor do estudo. Não em vão, os judeus foram durante séculos, o único povo de nossa cultura que era alfabetizado. Mas também estudam os fundamentalistas do Paquistão, de maneira que o fator diferencial não é estudar, porém o que se estuda... Pessoalmente, situei a questão na singular cultura libertária e antidogmática de um povo que inclusive discute com seu próprio Deus, povo do livro, vinculado à palavra e à reflexão. Foram eles que, há milhares de anos, escreveram um código de leis que ainda marca as pautas atuais da convivência. E foi o rabino Edery quem selou a reflexão. Talvez o fator X seja a vida judaica, o conjunto de valores que caracterizam suas complexas amarras culturais, nas quais, a veneração pela vida, a superação individual e o compromisso com a cultura têm sido seu fato diferencial durante séculos. Sem dúvida, não é insignificante o esforço econômico que Israel dedica à pesquisa científica e médica — num país que se vê obrigado a gastar 60% de seus recursos com a defesa —, mas isso só explicaria o fenômeno nas últimas décadas. Que fique este dado para contra-argumentar alguns ódios: 50 anos de petróleo e recursos ilimitados, dezenas de países e milhões de pessoas, não deram um só prêmio Nobel ao mundo. 50 anos de Israel, com escassa população e recursos limitados, deram mais de uma dezena.

Este arti
go não pretende responder ao enigma, mas me pareceu interessante traçá-lo, inspirada por aquela feliz tarde de verão. E nem tanto para animar a busca das respostas, como para recordar que quando falamos dos judeus, falamos da cultura, do pensamento, da ciência. Nenhum povo contribuiu tanto sendo tão pequeno. Entretanto, o principal não é o agradecimento. O principal é repetir, insistentemente as maldades do preconceito e do desprezo.




Pilar Rahola: El País. Madrid
Tradução: Szyja Lorber