Mostrando postagens com marcador Tradição. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tradição. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 3 de maio de 2016

Deserto - Muita, Muita Vida!!! Desertos do Sul de Israel.



Oi gente, voltei. Já fazia muito, muito tempo que eu não postava, mas estou querendo fazer umas novas experiências e lá vamos nós, como dizia a bruxa do desenho do pica-pau. Aqui um vídeo minimalista, na simplicidade dos enquadramentos e no estilo de filmagem, mas mostra com perfeição a exuberante natureza dos desertos do sul de Israel. Quem chama um deserto de "morto", realmente não sabe do que está falando...

P.S. As imagens são de um vídeo do Ministérios das Relações Exteriores de Israel.
Os créditos pela filme estão no final do vídeo.

sexta-feira, 23 de março de 2012

A Reza Judaica e Suas Belezas - Bame Madlikin

Está é uma tradicional e linda reza que é dita nas noites de sexta-feira, no Kabalat Shabath, durante a oração noturna para a recepção do Shabath.
Eis aqui um vídeo com a reza na bela voz do Rabino Hagay Batzri.
Na sequencia explicarei o significado, o sentido e a tradução. Não hoje, porque estou correndo para justamente preparar o Shabath, que "entra" daqui umas duas horas.
Shabath Shalom.


quarta-feira, 7 de março de 2012

Explicando Purim

Purim é uma festividade judaica única. Enquanto as demais festas religiosas enfatizam a espiritualidade – em Chanucá, por exemplo, acendemos velas que simbolizam a alma do homem e a Torá – Purim é guardada cumprindo-se quatro mandamentos, três do quais envolvem alimentos e bebidas.



Precisamos ter uma refeição festiva e abundante; enviar presentes com dois ou mais alimentos prontos para os amigos; doar dinheiro aos pobres, para que eles, também, possam desfrutar da festa; e estar presente na sinagoga para ouvir a leitura da Meguilat Esther. O principal tema de  Purim é a alegria, assim, além dos fartos alimentos e bebidas, realizam-se desfiles e celebrações, e as pessoas e crianças se fantasiam e usam divertidas máscaras.
Purim é uma ocasião festiva, mas pode dar a impressão de ser extremamente materialista. Mesmo a leitura pública daMeguilat Esther aparenta ser despida de espiritualidade, pois entre os 24 livros do Tanach (Torá, Profetas e Escritos Sagrados), é o único que nunca menciona o nome de D’us. Isso parece indicar que D’us não participou na história dePurim.
O mandamento dessa leitura da Meguilá parece ser a antítese das luzes de Chanucá: ao invés de dar publicidade a um milagre Divino, aparentemente aqui há uma negação do mesmo. De fato, podemos perguntar-nos por que a Meguilat Esther foi incluída no Tanach. Não se trata de um livro de mandamentos Divinos, como a Torá, tampouco uma ode a D’us, como o Livro dos Salmos. Pelo contrário, lê-se o Livro de Esther como um romance, onde há heróis e vilãos, tramas de conspirações e assassinatos, amor e sedução, reviravoltas, e, por fim, um final que foi plagiado, repetidamente, por escritores e cineastas: o mal se volta contra quem o iniciou, enquanto os heróis, após passar por um período de turbulência e sofrimento, emergem triunfantes.  Uma história fascinante e divertida, com certeza; mas seus autores acharam por bem não elencar D’us como um de seus personagens.
Um dia no qual comemos e bebemos, vestimo-nos com fantasias, realizamos festas e vamos à sinagoga para ouvir a leitura pública de uma história na qual não se menciona nem uma única vez o nome do Todo Poderoso parece contrário ao espírito do judaísmo. Contudo, nossos Sábios sempre prezaram a festa de Purim e nos ensinaram que deve ser celebrada como o dia mais jubiloso do calendário judaico. Os Cabalistas chegam ao ponto de equipará-la ao dia mais sagrado do ano: eles indicam que Yom HaKipurim literalmente significa “o Dia da Expiação”, mas também, o “Dia comoPurim” (Yom (Ha) ke´Purim). Quanto ao texto que conta sua história, além de ter sido escolhido para integrar o Tanach, aMeguilat Esther foi comentada por nossos maiores Sábios.  Há um tratado inteiro do Talmud – Tratado Meguilá – que discute, entre outros, a Meguilat Esther e a história e as leis de Purim
Mas, se Purim é uma festividade tão sagrada, por que razão seus mandamentos são tão materialistas? E se a Meguilat Esther é um livro sagrado, digno de ser incluído no Tanach, por que razão não faz menção a D’us sequer uma única vez?

Uma história feliz e inesperada
A história de Purim, segundo o relato da Meguilat Esther e a elucidação do Talmud e do Midrash, é uma saga com final feliz e inesperado, constituída por um sem fim de eventos fortuitos – a que muitos chamam de “coincidências”.
O rei da Pérsia, Achashverosh, que reinava sobre um grande império, organizara uma celebração com duração de um semestre. Ele ordenou à sua mulher, a rainha Vashti, que desfilasse nua durante as celebrações, como forma de mostrar sua grande beleza. Normalmente, ela não se teria oposto àquele pedido, no entanto, como havia contraído uma terrível doença de pele, não quis revelar o seu aspecto desagradável. O rei, furioso com sua recusa, fez com que a banissem do reino e a executassem.
Como o rei necessitava uma nova rainha, seus mensageiros saíram em busca de lindas moças, levando-as ao harém real. Uma delas era Esther, que era judia.  Ela também, por “coincidência”, era parenta de Mordechai – líder, à época, do Povo Judeu – que a criara.  Entre todas as mulheres do harém, é com Esther que o Rei se encanta e por quem se apaixona.
Enquanto Esther vive com Achashverosh em seu palácio, Mordechai toma conhecimento de um complô para assassinar o rei. Ele se apressa em levar a informação à Esther. O assunto é investigado e corroborado, sendo executados os que conspiravam contra a vida do soberano. Esther comunica a Achashverosh que fora Mordechai quem os prevenira sobre a conspiração. Inexplicavelmente, Mordechai não é recompensado por ter salvado a vida do rei; mas seu ato heroico é registrado nas crônicas reais.
A trama se intensifica quando Haman – um homem que, como Hitler, era obcecado com a idéia de extirpar o Povo Judeu da face da Terra, de uma hora para outra, sobe ao poder e se torna primeiro ministro do reino. Ele convence Achashverosh – que não sabe que sua amada esposa Esther é judia – a lhe dar permissão de executar uma Solução Final para o Problema Judeu.  Haman estava determinado a executar Mordechai, que se recusa a se curvar perante ele, e, em seguida, a exterminar todos os judeus – homens, mulheres e crianças.


Haman manda construir a forca onde executaria Mordechai. Mas, na noite antes da planejada execução, o rei Achashverosh acorda em meio a seu sono e não consegue voltar a dormir. Pede então a seus serviçais que leiam para ele as crônicas reais. Entre os relatos encontra-se o episódio em que Mordechai havia salvado sua vida. Achashverosh pergunta aos serviçais se Mordechai tinha sido recompensado por tão nobre feito e é informado de que não. O Rei decide que era chegada a hora de pagar sua dívida de gratidão. E assim, no dia em que Mordechai devia ser executado, ele é recompensado pelo rei Achashverosh. Para cúmulo da ironia, o Rei ordena a Haman que ele, pessoalmente, renda o tributo ao líder dos judeus. Este se torna o momento da virada na história: a roda da vida começa a girar para o protagonista e o antagonista.
Enquanto a sorte de Mordechai começa a subir, a de Haman cai vertiginosamente. O clímax ocorre quando Esther – que vinha tramando secretamente com Mordechai uma forma de frustrar os planos genocidas de Haman – finalmente revela a Achashverosh que era judia. O rei desencadeia sua fúria contra Haman, e o vilão é enforcado no próprio patíbulo que construíra para Mordechai.  A história termina com Haman morto, em desgraça. Seus dez filhos malvados também foram enforcados – assim como o foram os dez filhos espirituais de Hitler após os julgamentos de Nuremberg. A Solução Final para o Problema Judeu é frustrada, Esther continua como rainha, Mordechai se torna o novo primeiro ministro do reino e os judeus passaram a ser honrados e favorecidos. Como escreveu Shakespeare: “Tudo bem quando termina bem”...
Mas é bem possível que tudo não tivesse terminado bem se qualquer um dos eventos da história de Purim tivesse sido um pouco diferente. E se a rainha Vashti não tivesse contraído uma doença de pele justo antes das celebrações? E se o rei Achashverosh tivesse sido mais compreensivo e tivesse decidido perdoá-la? E se uma moça não judia tivesse atraído seus olhares e fosse “a eleita” para sua rainha? E se uma moça judia fosse escolhida, mas não Esther – alguém que não conhecesse Mordechai, alguém que preferisse manter sua identidade judaica em segredo, e que não tivesse feito nada para salvar seu povo? E se jamais tivesse havido um complô para matar o Rei? E se Mordechai não tivesse tomado conhecimento de tudo? E se o Rei não tivesse despertado no meio da noite antes da planejada execução de Mordechai? E se outras passagens das crônicas reais, que não aquela sobre o nobre gesto do líder judeu que lhe salvara a vida, lhe tivessem sido lidas? E se Mordechai tivesse sido recompensado por seu ato ao invés de ter um mero registro nas crônicas reais?
Há outros eventos fortuitos na história de Purim. Mencionamos alguns deles para ilustrar que bastava algum acontecimento, de maior ou menor porte, ter-se desenrolado de forma ligeiramente diferente para que a história fosse completamente outra. Mas como devemos interpretar esta cadeia de ocorrências fortuitas? Teriam os judeus sido poupados da aniquilação porque Alguém os guardava – trabalhando por trás dos bastidores para poupá-los? Ou teria a série de coincidências, resultado, em última instância, na salvação dos judeus?


Providência Divina ou simples coincidência?
Falando de modo geral, todos os seres humanos se dividem em dois grupos. Quando algo notável acontece com os integrantes do primeiro grupo, eles o entendem como algo mais do que simplesmente sorte; consideram como evidência de que Alguém zela por eles. Para tais pessoas, tudo é um sinal ou mensagem Divina e nada na vida é simples coincidência. Em contraste, os que pertencem ao segundo grupo, mesmo crentes em D’us, não endossam a ideia da Providência Divina. Portanto, sempre que algo de fortuito lhes ocorre, eles o consideram uma coincidência, e sempre que são confrontados com uma situação de incerteza, sentem-se apreensivos e até temerosos, pois crêem que nós, seres humanos, estamos sós neste mundo, sem ninguém que zele por nós.
Todos nós, judeus e não judeus, nos enquadramos em um desses dois grupos. Interpretamos os eventos felizes em nossas vidas como sinais Divinos, milagres? Ou os vemos como meras coincidências?
À luz desta pergunta, podemos abordar o mistério da Meguilat Esther não mencionar o nome de D’us sequer uma vez. Quem a escreveu? Não foi nenhum dramaturgo laico, mas seus próprios protagonistas: Mordechai e Esther. E foram os membros da Grande Assembleia, os Anshei Knesset Ha’Guedolá – constituída por 120 sábios, escribas e profetas – que  a incluíram entre os 24 livros do Tanach. Os autores da Meguilá omitiram propositalmente o Nome de D’us, e os Homens da Grande Assembleia corroboraram sua decisão, pois a história de Purim tem o propósito de nos ensinar uma lição que é ainda mais profunda do que a que nos é transmitida pelas velas de Chanucá.  Esta lição é que D’us governa Seu mundo enquanto Ele Próprio permanece oculto.  A mensagem da Meguilá é atemporal e universal.
Em Pessach, celebramos os milagres que D’us fez em favor do Povo Judeu na época de Moshé – no Egito e no deserto de Sinai.  Em Chanucácelebramos os milagres que D’us realizou em prol de nossos antepassados na época do segundo Templo Sagrado. Mas, desde então, quando foi que D’us realizou milagres? A Meguilat Esther ensina que o Todo Poderoso nunca cessou de fazer milagres, mas Ele agora trabalha por trás dos bastidores. Para simultaneamente fazer milagres e ocultar a Sua Presença e participação, Ele orquestra os eventos em nossas vidas em uma forma que nos faz imaginar a quem os atribuir: à Providência Divina ou simplesmente à sorte.
Não é apenas a Meguilat Esther, mas Purim como um todo que tem como seu tema básico e subjacente a ocultação Divina. Até mesmo o nome da protagonista da história, Esther, alude a isso. Este nome é derivado da palavra hebraica “Hester”, que significa “ocultação”, e alude ao conceito deHester Panim – a ocultação da “Face Divina”: uma época quando D’us não mais Se revela abertamente.
De fato, Esther nem era mesmo seu verdadeiro nome, que era Hadassah. O nome Esther, muito comum na Pérsia antiga, fora escolhido para ocultar sua identidade judaica até o momento em que ela a tornasse pública.
O costume de usar fantasias e máscaras em Purim também faz referência à ocultação Divina. Como o relato da Meguilá, aparentam ser mero entretenimento, mas transmitem uma séria mensagem: a de que D’us usa um disfarce e uma máscara e estes são o curso natural dos eventos e as leis naturais do mundo, que ocultam a Sua Presença e a Sua Providência. De fato, os Cabalistas ensinam que a palavra hebraica Olam, mundo, deriva da palavra Helem, que significa “oculto”. Vivemos em um mundo no qual seu Criador e Governante – Aquele que verdadeiramente comanda o espetáculo – permanece nas sombras.
O Nome de D’us foi propositalmente deixado fora da Meguilá para servir como uma mensagem e um desafio para todos os judeus e, de fato, para todos os seres humanos: não apenas quando ouvirmos a história de Purim, mas em nossa vida diária, vemos sinais Divinos – milagres ocultos – ou apenas coincidências? Colocando de outra maneira: Estará alguém zelando por nós? Ou nós, os 7 bilhões de seres humanos, estamos completamente sós neste mundo?

Fonte Revista Morashá.





domingo, 4 de março de 2012

O Livro de Ester - A Festa de Purim

Um resumo legal animado com massinha, com audio em hebraico e tradução em Português!



Uma das características marcantes da Festa de Purim é a leitura do Livro de Ester, ou em hebraico, Meguilat (Pergaminho) Ester.


Megillah Benedictions and Illuminations, Painting on Parchment, Italy, eighteenth century Hebraic Section, Library of Congress Photo).



Livro de Ester é um dos livros históricos do antigo testamento da Bíblia, vem depois do Livro de Neemias e antes do Livro de Jó. Possui 10 capítulos.
Conta como Ester, uma jovem judia entre os deportados, se tornou a rainha da Pérsia e como seu primo e tutor Mordekai/Mordoqueu descobriu um complô contra a vida do rei; como o Grão-vizir Haman (Amã) procurou liquidar os judeus; como Ester interveio, arriscando a própria vida; como Haman foi enforcado e os judeus autorizados a fazer um contra-Pogrom, cujo aniversário celebram com a festa dos Purim.
O título deriva do nome de seu principal personagem. Os judeus o chamam de Meghil-láth És-tér, ou simplesmente de o Meghil-láh, que significa "rolo", "rolo escrito", porque constitui para eles um rolo muito estimado.
Uma forte evidência da autenticidade do livro é a Festividade de Purim, ou de Sortes, comemorada pelos judeus até o dia de hoje; no seu aniversário, o livro inteiro é lido nas suas sinagogas. Diz-se que uma inscrição cuneiforme, evidentemente de Borsipa, menciona um oficial persa de nome Mardukâ (Mordecai?), que estava em Susa (Susã) no fim do reinado de Dario I ou no começo do reinado deXerxes I. — Zeitschrift für die alttestamentliche Wissenschaft (Revista de Ciência do Velho Testamento), 1940/41, Vol. 58, pp. 243, 244; 1942/43, Vol. 59, p. 219.
Livro de Ester está de pleno acordo com o restante das Escrituras e complementa os relatos de Esdras e de Neemias por contar o que aconteceu com o exilado povo de Deus na Pérsia.
Naquela época, Hamã, funcionário da corte, vira um homem de confiança de Assuero. Entretanto, ao recusar-se a prestar-lhe as honras que o rei havia decretado que lhe pertenciam,Mordecai ganha o ódio de Hamã que, daí em diante, decide destruir Mordecai e todo o seu povo. É neste contexto que Hamã consulta o Pur para decidir qual seria a melhor data para o extermínio dos judeus. Logo depois, Hamã vai até a presença do rei para convencê-lo do massacre, usando o falso argumento de que os judeus eram um grande povo que não respeitava os decretos do rei. O rei, então, é enganado, e lança o decreto (cujo texto só é encontrado na versão grega) para o extermínio dos judeus, que cairia no dia 13 de Adar, o duodécimo e último mês do calendário hebraico. É a partir daqui que se cria uma grande tensão.
Ester e Mordecai então começam a ficar desesperados, e fazem duas belíssimas orações a Deus, implorando pela vida do povo santo exilado (estas orações só se encontram na versão grega). Então, a rainha Ester, atendendo ao pedido de Mordecai, inicia a sua intervenção junto do rei onde pede pela sua vida e pela do seu povo, denunciando Hamã como o terrível inimigo. Num ato de desespero e durante a breve ausência de Assuero que se retirara por instantes, Hamã pede perdão a Ester e cai sobre ela no divã onde se esta se encontrava. Assuero, que entra nesse momento, imaginando que se tratava de uma tentativa de assédio, manda enforcar Hamã na forca que este preparara para Mordecai.
Um dado importante: as leis decretadas e seladas com o selo do rei não podiam ser revogadas. Por isso, Assuero dá a Mordecai e Ester liberdade para decretarem e selarem com o seu selo e em seu nome, uma lei que se possa opôr à primeira. Assim, é editada uma lei que indicava que todos os judeus do império deviam-se juntar no dia 13 de Adar (o mesmo dia em que estava decretado o extermínio dos judeus), e assim matar todos os que intentassem contra as suas vidas e as suas posses. A pedido de Ester, foi concedido mais um dia para que os judeus perseguissem e matassem os seus inimigos. Assim, nos dias 13 e 14 do mês de Adar, foram mortos, só em Susa, 800 homens e enforcados os dez filhos deHamã. Nas províncias restantes, o número de mortos chegou aos 75.000. No dia seguinte, este acontecimento foi celebrado com banquetes. (fonte: por pura preguiça, Wikipédia)

Música de Purim em Hebraico:





terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Saudades, saudades, saudades...

arquitetadeisesoares.blogspot.com
Depois de levantar cedo e correr pra reza antes do amanhecer, voltei pra casa, pelo curto caminho que separa a Beit Knesset do apto onde moro. Hoje não faz frio. Na verdade esta até agradável. Mas mesmo assim havia em mim uma sensação estranha. Não era frio, nem nada que me parecesse conhecido... somente uma sensação...
Cheguei em casa e fui preparar o desjejum, depois de dar comida pros gatos. O judaísmo diz, "primeiros os animais, depois você!" É interessante como eles, mesmo sem relógio, sabem que eu estou chegando com a comida. Quando me dirijo a janela da sacada, lá estão eles, já me esperando... são os meus filhos... hehehehe...
Liguei o PC e pensei, vou ouvir música enquanto faço o desjejum.
Entrei no YouTube e pensei em qual das minhas playlists eu iria ouvir. Difícil escolher, porque além de libriano tenho um gosto tão eclético que abrange desde música folk japonesa, zen, até as baladas de viola que eu ouvia no "Viola Minha Viola" da rede Cultura nos domingos pela manhã!
De repente meus olhos passam pela "Gauchescas", e então resolvo ouvir um pouco da poesia lá do Sul.
Pra quê? Eita saudade que bateu no peito e quase me afogou na amargura de tudo que deixei pra trás.
Não que eu não ame e não esteja satisfeito de tudo que tenho e encontrei aqui. Estou aqui por que escolhi e estar aqui em Israel é parte da realização de um sonho que ainda tem um longo caminho pela frente.
Aqui é minha casa. Este hoje é o meu país, assim como já era no meu coração quando eu vivía em São Paulo, Curitiba, Rio ou Caxias, na Serra. Porém não posso ser ingrato com a Terra que com seios tão fartos me acolheu desde minha infância até minha partida. Além de que o campo, as matas, as vacarias, o cheiro do fogão a lenha, da carne assada no braseiro,  da erva quente e amarga nas manhãs frias e úmidas cobertas pelas cerração, das verduras colhidas alí, ao lado da casa, do milho verde, do vinho nas festas, da família inteira reunida no rancho da "Véia e do Véio", das partidas de carteado até bem tarde da noite (talvez nove e meia da noite!), regadas com histórias antigas de mortos e vivos que insistem em assombrar minhas lembranças, tudo iluminado com luz de lampião e lamparina, pois lá na fazenda ainda não havia chegado luz elétrica nos finais dos anos setenta.
Os cachorros deitados na soleira da porta, o ruído da galinhada e dos patos e marrecos que parecem que não dormem nunca. O grito perdido de alguma alma, viva ou penada na imensidão do sertão afora, que vinha ecoando pelas lombeira da serra ou o latido de uma matilha de cães que talvez tenha se debatido com alguma jaguatirica ou um cateto bravo...
Saudades,  de lá do quarto, ainda bem cedo, (quatro e meia ou cinco da manhã), ouvir o belém, belém da colher no bule do café, minha velha avó preparando o desjejum pro meu velho avô, antes dele e meus tios saírem para a lida da terra. Graças a D´s, Terra deles, que frutificava em uma abundância tão generosa, tão exagerada que era difícil não se emocionar ao ver as colheitas, o arroz dourado, já maduro, cantando na passagem do vento, como se acenando pra quem vinha admirá-lo. O cheiro forte do milharal, com seus pés gigantes (pelo menos era para mim nos meus três ou quatro anos!). A cana que de tão gorda, rachava e estourava no calor do sol, com estalos molhados e açucarados. As laranjeiras, os limoeiros, as bergamoteiras que de tão carregadas que chegavam a quebrar os galhos mais finos.
Lembro de uma árvore especial, uma espécie de Laranja Grande, que devia ter uns 50, 60 anos ou mais. Era enorme, gigantesca, nada que pudesse lembrar uma laranjeira. Sua imponência e majestade lembravam uma rainha, uma deusa minimalista das lendas indíginas da Mata-Atlântica. Suas laranjas eram gigantes e seus galhos eram tão altos que somente os Sábiás, os Majestosos Sabiás, tinham o direito de saborear de seus frutos.
Como esquecer, meu D´s, como esquecer o gostinho da comida feita nas panelas pretas e enegrecidas de ferro?!?! Do feijão com sabor do peixe ou da carne defumada, alí mesmo, pendurada sobre o fogão a lenha! Da banana assada na chapa, do milho ainda com a palha verde, assado dirento no braseiro???!!! Do frango abatido poucas horas antes de servido, dos ovos com as gemas vermelhinhas, ovos as vezes brancos, vermelhos, verdes ou azuis! As vezes a galinha era meio artista plástica e botava um ovo com todas as cores juntas! Minha avó dizia que a galinha podia ter cruzado com algum macuco ou jaó do mato, por isso o ovo era de cor distinta. Galinha infiél era aquela que não respeitava o dono do terreiro, o Galo.
Me lembro deles, bravos, austeros, sérios, orgulhosos, com suas cristas charmosamente pendurada de um lado da cabeça, como um galã frances de filme antigo, mas armados com enormes e afiadas esporas, como um pistoleiro do antigo oeste. Pobre coitado que era casado com uma Galinha!
Como, me digam, como não chorar ao ouvir o som da guitarra, da gaita, da rabeca.
Em pensar que parte de tudo isso já desapareceu. É como se não houvesse existido jamais. Por outro lado é tão vivo e tão real aqui dentro do meu peito, no horizonte da minha memória, que até posso sentir os cheiros, ouvir os ruídos, quase tocá-los...
Mas a vida vai seguindo sua correntesa, forte, impiedosa, dura, devastadora. A vida não é estática. A vida sempre tem que dar lugar a vida. Muitos dos meus já se foram. Eu, com sorte estou no meio do caminho... mas com a forte sensação de que a curva já ficou pra trás. Não ví, não percebi, mas sinto que ela já passou. É que é uma curva tão grande, larga, que agente não costuma perceber.
E sigo assim caminhando para aquele lugar que todos nós conhecemos, sabemos... se bem que a maioria de nós recusa reconhecer e aceitar, mas ele é inevitável. Não acredite nessa sensação que você tem de que é eterno. Não é. Eu não sou. Eles não eram.
Não que eu me preocupe com a morte. Só fico triste porque com a minha morte tudo aquilo que conheci, que ví, que ouví, que tive o prazer de vivênciar vai morrer comigo. Em grande parte já não existe hoje, na realidade, e também vai deixar de existir na minha memória.
A dor de ter perdido tudo isso e de saber que vou perder tudo isso mais uma vez é insondável.
Saudades... palavra doce na boca, mas amarga quando desce, quando os olhos cerram, quando o silêncio bate, quando a memória canta...
Saudades...

O vídeo abaixo traz uma música, que toca tão fundo no meu coração que não podia deixar de pô-la aqui.


Cesar Passarinho - Guri




domingo, 5 de fevereiro de 2012

Salmo 67




לַמְנַצֵּחַ בִּנְגִינֹת מִזְמוֹר שִׁיר.
אֱלֹהִים יְחָנֵּנוּ וִיבָרְכֵנוּ, יָאֵר פָּנָיו אִתָּנוּ סֶלָה.
לָדַעַת בָּאָרֶץ דַּרְכֶּךָ, בְּכָל גּוֹיִם יְשׁוּעָתֶךָ.
יוֹדוּךָ עַמִּים אֱלֹהִים, יוֹדוּךָ עַמִּים כֻּלָּם.
יִשְׂמְחוּ וִירַנְּנוּ לְאֻמִּים, כִּי תִשְׁפֹּט עַמִּים מִישֹׁר, וּלְאֻמִּים בָּאָרֶץ תַּנְחֵם סֶלָה.
יוֹדוּךָ עַמִּים אֱלֹהִים, יוֹדוּךָ עַמִּים כֻּלָּם.
אֶרֶץ נָתְנָה יְבוּלָהּ, יְבָרְכֵנוּ אֱלֹהִים אֱלֹהֵינוּ.
יְבָרְכֵנוּ אֱלֹהִים, וְיִירְאוּ אוֹתוֹ כָּל אַפְסֵי-אָרֶץ.









Salmo 67

[Salmo de Davi] Exaltar-te-ei, ó ETERNO, porque tu me exaltaste; e não fizeste com que meus inimigos se alegrassem sobre mim.
ETERNO meu D´s, clamei a ti, e tu me saraste.
ETERNO, fizeste subir a minha alma da sepultura; conservaste-me a vida para que não descesse ao abismo.
Cantai ao ETERNO, vós que sois seus santos, e celebrai a memória da sua santidade.
Porque a sua ira dura só um momento; no seu favor está a vida. O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.
Eu dizia na minha prosperidade: Não vacilarei jamais.
Tu, ETERNO, pelo teu favor fizeste forte a minha montanha; tu encobriste o teu rosto, e fiquei perturbado.
A ti, ETERNO, clamei, e ao ETERNO supliquei.
Que proveito há no meu sangue, quando desço à cova? Porventura te louvará o pó? Anunciará ele a tua verdade?
Ouve, ETERNO, e tem piedade de mim, ETERNO; sê o meu auxílio.
Tornaste o meu pranto em folguedo; desataste o meu pano de saco, e me cingiste de alegria,
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. ETERNO, meu D´s, eu te louvarei para sempre. 






Hatikva-The National Anthem of Israel (Esperança - O Hina Nacional de Israel)

O meu blog, não poderia deixar de ter o mais lindo de todos os hinos nacionais. Esse vídeo é muito bem feito.
Vale a pena dar uma olhada!


sábado, 4 de fevereiro de 2012

Shabath Shirah - O Cântico do Mar

Este Shabath foi um Shabath especial porque nele se realizou a leitura da Torah que se fere à Parashah (Porção Semanal) que relata a travessia do Mar Vermelho pelo Povo de Israel. Na tradição judaica costumamos chamar este shabath de Shabath Shirah, ou seja, o Sábado do Canto, pois neste parashah, depois de presenciar o espetáculo que foi o milagre da abertura do Mar, e a seguinte destruição dos exércitos de Faraó, Moisés e o povo se unem em um Cântico de agradecimento e louvou ao Todo Poderoso, Bendito Seja. O texto deste cântico encontra-se no capítulo 15 do livro do Êxodo e lá podemos admirar a beleza dessa poesia singular, que tem inspirado a fé e a crença de milhões durante milênios.
Porém aqui não vou entrar em aspectos ideológicos ou filosóficos, ainda que este trecho da Bíblia hebraica possua um sem número de comentários de todos os tipos e por todos os ramos de religiões, sábios e estudiosos da Torah.
O que quero sim é postar uns vídeos que tentam, ainda que essa seja uma tarefa difícil, imaginar e ilustrar o que foi esse momento tão grandioso da Manifestação Divina. Somente um parentesis, a Kabalah costuma dizer que  o Eterno se disfarça e se oculta no meio da natureza. Uma pessoa que não preste atenção ou pouco sensível, terá dificuldade de acreditar em Algo que não vê. Aqui entre o elemento fé, crença. Porém no drama da abertura do Mar, o Eterno, Bendito Seja, se revela, e se revela de uma maneira como jamais havia feito e como jamais o fez depois disso.
Deixando de blá, blá, blá... vamos aos vídeos: Primeiro o Classico dos Classicos:





Agora, um vídeo que traz uma melodia linda, mas que possui um erro básico. O vídeo é um trecho do filme "O Príncipe do Egito". Nele o povo entoa o cântico na saída do Egito, como se estivesse comemorando a liberdade adquirida, porém esse não é o relato bíblico. O Cântico somente é entoado após a travessia do Mar Vermelho e a destruição dos exércitos de Faraó. Mas a melodia é tão linda que resolvi postar assim mesmo. Vale a pena, o legal é que esse vídeo tem várias versões em várias línguas, e é legal ver a diferença entre elas:

Português:




O refrão desta música foi baseada no Cântico descrito na Torah. Por isso não poderia faltar a versão em Hebraico!



E porque não ver como isso fica em... Japonês!



O mesmo filme "O Príncipe do Egito", agora mostrando o trecho da travessia do Mar Vermelho. Simplismente lindo!



E assim vai... podia continuar postando vídeos assim sem fim. Mas acredito que já deu pra ter tido uma idéia.
Uma boa semana a todos.


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Kabaláh Verdadeira.

Ainda me lembro de
quando estava no Brasil e de transitar pela Kehiláh ouvia aqui e alí sobre cursos de kabaláh, entrevistas com rabinos, professores, pesquisadores da mística judaica.
Se existe uma palavra que pode definir um dos meus aspectos internos, é "desconfiado". Meu primeiro rabino em Israel, ainda em Beer Sheva, rav Israel Wortzman já me havia alertado mais de uma vez sobre minha posição extremamente "defensiva" com relação ao mundo exterior. Fazer o que? As vezes um acaba se tornando aquilo que a vida produz. As mãos se tornam ásperas e grossas pelos calos abertos. Os ombros se tornam largos pelo peso carregado. A pele de tom moreno e resecada pela longa exposição ao sol... cachorro mordido de cobra tem medo de linguiça! Já dizia o velho deitado!
Assim,  para mim parecia extranho que aqueles patrícios reformistas, conservadores ou liberais (com todas as implicações que os termos requerem), pudessem conhecer, entender e ainda mais ensinar algo de Kabaláh.
Não que eu fosse um entendido no assunto. E mesmo hoje não sou. Mas algo não parecia encaixar.
Quando eu lia algo sobre a história da Kabaláh, sobre suas origens, algo simplismente introdutório, mas suficiente para enterder a base.
Moshe Rabeino, Shmuel HaNavíh, Shlomo HaMelech, Ishayahu HaNavih, Eliahou Hanavih, Elisha Hanavih,  Izkyahu Hanavih, Rav Akiva, Rav Shim'on Bar Yochai, Arizal HaKadosh!  O que é que podemos encontrar de semelhante na vida destes homens, Homens com "H" mais do que maiúsculo, gigantes da Torah, da emunah, das mitzvot.
Esses nomes citados, e muitos outros de uma lista imensa, eram homens de uma fé e crença profundamente, perdoem-me pela expressão, "ORTODOXA"!. Quero dizer com isso, com uma aceitação total e completa da Torah Escrita e Oral. Tanto na sua veracidade como na sua literalidade. Para eles a Kabalah era a Causa Primordial de todo o judaísmo. Ela, a Kabalá, não vinha substituir a Torah, os Mandamentos, as Mitzvot, os Juízos, as Leis e os Rituais. A Kabalah sim vinha e vem emprestar, ou melhor, resgatar o verdadeiro e mais profundo e íntimo sentido de todas essas práticas e ensinamentos.
Sendo assim, como uma pessoa que renega a Torah na sua essência, ou seja, a sua autoria divina e inspirada e a sua atemporalidade pode dizer-se estudioso ou mestre de kabaláh?


Agora, porque de toda essa explanação de minha parte. Porque do assunto assim de repente?
Hoje foi um dia especial na minha vida. Como eu disse acima, sempre fui desconfiado, mas na questão da Kabaláh, não que não acreditasse, mas sempre duvidava das pessoas que se diziam conhecedoras da mesma. Afinal de contas dizer que se é Kabalista, não deixa de ser uma questão de status.


HaRav Ben Ish Hai, rabino, kabalista e jurista. Viveu a mais de 150 anos atrás em Bagdad.

Porém aqui em Israel a realidade é outra. Hoje, mais do que nunca, Israel se tornou o centro mundial do Judaísmo, retornando a sua origem de antes da destruição do Segundo Templo.
As únicas correntes aceitas pela grande maioria são as diversas ramificações e expressões da Ortodoxia, desde as mais atualizadas até as mais extremistas e isoladas. No entanto elas possuem uma coisa em comum que é a aceitação plena da Halachá, código de leis que regem a vida do judeu religioso, em todos os aspectos da sua vida cotidiana, mundana e espiritual. O que diverge entre os diversos grupos é a interpretação da Halachá e os costumes que cada grupo trouxe dos países onde estavam exilados.
Como já expliquei anteriormente, agora estou estudando com um rabino que é de um ramo misrachi-haredí, e por isso com forte influência da Mística. O legal que a base de nossos estudos são sempre a Mishnah, a Guemará e a Halacháh. O que estudamos de Kabaláh vem sempre como suporte para o anterior. A Kabalah fornece o Taâm que somente pode ser encontrado no mais profundo do PARDES, no Sod!
Por estarmos no período de Shovavim, esse é o melhor perído para a realização de uma série de "rituais" kabalísticos, como por exemplo o de Tikun Shovavim, que pode ser realizado de uma maneira a englobar varios tipos de Tikunin.
Isso nada mais é do que Kabalah prática!
Um dia de Tson! Minchah realizada segundo o ritual do Mekubal Hakadosh Rav Ben Ish Hai ZTZ'L, Tsedakah e muita, muita kavanot. Uma experiência inesquecível.
Somente tenho a agradecer ao Todo Poderoso por me conceder o privilégio através de Seu Chessed, de poder vir a conhecer, estudar, enternder e participar desse Judaísmo tão original, vivo, vibrante que é o Judaísmo em Israel.
"O POVO DE ISRAEL, NA TERRA DE ISRAEL, VIVENDO A TORAH DE ISRAEL, ENTREGUE A NÓS PELO TODO PODEROSO, ÚNICO E SOBERANO D´S DE ISRAEL".





quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Chanukah - 5772

Este ano foi um ano especial no que se refere a Chanukah.


Desde um pouco antes do Rosh HaShanah, comecei a estudar com um novo Rabino que chegou aqui na minha cidade.
Ele veio a convite e suporte de uma família de amigos meus, olim de Sefarad, que o conheceram no período em que ele foi shaliach na Espanha. Família BenDahan.
Israelense, Rav Avraham Bukobza fala espanhol por ter trabalhado na Espanha, mas também trabalhou por três anos em Yohanesburgo, Africa do Sul.
Ao retornar a Israel, a família BenDahan o convidou para vir para o norte e iniciar um trabalho com olim de fala espanhola.
Assim, me interessei pelos shiurim do Rav. O legal é que a didática dele é tão boa e acessível, que mesmo em hebraico posso compreender bem, senão tudo o que fala.
Rav Bukobza é formado pela linha misrachi-haredí, com forte influência do Rav HaTzadik Mordechai Eliahu ZTz''l que também preza pelo estudo da Kabaláh.
Pela primeira vez  em minha vida de baal-tshuvah, me sento para estudar hassidut e kabaláh. Mudou completamente minha visão do judaísmo. O que antes era para mím um exagero, estremismo e fanatismo, passou a fazer sentido, lógica e a apelar para minhas convicções mais profundas.
Graças ao Kadosh Baruchu, hoje minha vida espiritual foi renovada. Novos caminhos foram descobertos e um novo sabor, uma nova cor, um novo aroma surgiu daquele mesmo judaísmo que eu já conhecia.
E assim foi com Chanukah.

Chanukah não é uma festa judaica com o mesmo peso da Páscoa (Pessach), Shavuot ou Sucot, estas festas bíblicas. Chanukah é uma festa de instituição rabínica, para comemorar e relembrar o milagre acontecido no período do domínio grego-sirío, com o levante e derrota dos exércitos estrangeiros pelos Macabeus, família de origem sacerdotal que encabeçou a rebelião e a expulsão dos helenistas.
Toda essa festa esta cercada de todo um contexto de fé (emunah), de perseverança, de confiança na Providência, no apego a verdade (emet) e aos mandamentos do Único, Bendito Seja.
Depois de mais de um mês de estudos aprofundizados no tema, como Halachot de Chanukah, e Massechet Shabath (21b -24a), aprendemos da importância de acender uma chanukiah (candelabro) com azeite de oliva, ao invés de outros tipos de óleos ou velas, da importância de ser preciso na ordem de acendimento e no tempo determinado pela halachah. Na relevância da Kavanah antes do acendimento e muitos outros pequenos detalhes que podem parecer irrelevantes, mas depois de conhecidos, só fazem aumentar a beleza e o significado da mitzvah.
Assim tive que correr com os preparativos para a festa, com a aquisição de uma bela e ornamentada chanukiah, dos apetrechos para as lâmpadas e a difícil tarefa de encontrar um verdadeiro 100% puro azeite de oliva, original israelense e com certificado especial numerado de procedência e pureza.
Chanukah é também conhecida em hebraico como a Festa das Luzes. E para terminar, algumas fotos que tirei da minha Chanukiah na janela, já que todo o propósito e fundamento da festa, é a divulgação do milagre!





sábado, 19 de junho de 2010

A Reza Judaica e suas Belezas III

Como eu já havia comentado aqui anteriormente, a reza judaica tem suas peculiaridades e belezas! Ao contrario das acusações de muitos cristãos, o judeu não é em si nem prepotente e nem auto-suficiente. Sua relação com o Eterno não está baseada no mérito e na justiça própria, mas sim na Bondade e Misericórdia Divina.
Isto pode ser visto nessa pequena passagem da reza matutina de shabath (sábado), que aparece logo após a Akedát Itzahak (trecho que relata o "Sacrifício de Isaac").
O trecho que vou transcrever pertence ao "Sidur Completo", edição tradução e transliteração sob direção do Jairo Fridlin.

Leolam - Sempre deve o homem temer a D´s, quer intimamente, como em público, confessar a verdade e reconhecer a verdade no íntimo de seu coração, e madrugar e dizer:
Ribón _"Soberano dos mundos e Senhor dos Senhores!Não é confiando em nossos atos de justiça que apresentamos a Ti nossas súplicas, e sim na Tua infinita misericórdia. Que somos nós?Que é a nossa vida?que é nossa benignidade?Que é a nossa justiça?Que é a nossa salvação? Que é a nossa força?Que é o nosso vigor? Que podemos dizer em Tua presença, Eterno, nosso D´s e D´s de nossos pais?Certamente são como nada os maiores heróis diante de Ti, e os homens de fama como se não existissem: e os sábios, como se não tivessem saber, e os inteligentes como se não tivessem entendimento: porque a maior parte de nossos feitos é vâ, e os dias da nossa vida, vaidade são dinte de Ti: a superiodidade do homem sobre o animal é nula porque tudo e vaidade, exceto a alma pura que está destinada a prestar Juízo e contas ante o Trono da Tua Glória. Todas as nações são nada diante de Ti, pois assim foi dito "Eis que as nações são como a gota que cai do balde, e como o pó miúdo da balança são consideradas: eis que (Ele) levanta as ilhas como coisas insignificantes". 

 Na sequência, o vídeo com a letra em hebraico de uma outra linda reza judaica, O "Anah Bekhoach"!


quinta-feira, 17 de junho de 2010

Eu sou Judeu!

Nem sempre é fácil dizer isso assim, sem medo de criar mal estar ou de levar um tapa em seguida. Mas graças ao Eterno, Bendito Seja, que temos nossa Medinat Israel e podemos cantar, felizes, alegres, cheios de vida e de esperança: Eu sou Judeu! Nem melhor e nem pior do que ninguém no mundo!






Um bom dia para todos, judeus e não judeus, com as bençãos do Único, Eterno, Bendito e Santo.

terça-feira, 15 de junho de 2010

A Reza Judaica e Suas Belezas II



Exaltado e santificado seja seu grande Nome, amém.
Neste mundo de Sua criação que criou conforme a Sua vontade; chegue seu reino cedo, germine a salvação e aproxime-se a chegada do Mesías, amém.
Em vossa vida, e em vossos dias e em vida de toda a casa de Israel, cedo e em tempo próximo e digam Amém.
Bendito seja Seu grande Nome para sempre, por toda a eternidade; seja bendito, elogiado, glorificado, exaltado, engrandecido, magnificado, enaltecido e louvado Seu santísimo Nome (Amém), acima de todas as bênçãos, dos cánticos, dos louvores e consolos que podem se expressar no mundo, e digam: Amém.
Desça do Céu uma paz grande, vida, abundância, salvação, consolo, libertação, saúde, redenção, perdão, expiación, amplitude e liberdade, para nós e para todo Seu povo Israel, e digam: Amém. (Amém)
O que estabelece a harmonia em Suas alturas, nos dê com suas piedades paz a nós e a todo o povo de Israel, e digam: Amém. (Amém)
O Kadish é uma reza muito antiga da liturgia judaica. Talvez a mais antiga que se tenha conhecimento e que esteja em uso até hoje.
O trecho do Kadish é recitado entre as diversas partes da reza, e também para encerrar uma reza específica. Nesse caso os "enlutados" costumam dirigir a recitação do Kadish, que é realizado em grupo e na presença de um minian (coro mínimo de dez homens que formam a assembléia).
Até hoje eu não havia me preocupado muito com o Kadish, uma vez que somente necessitava responder os "amém". Porém com a morte do meu amigo Diego, e com a ausencia de parentes próximos para  cumprir com o dever da recitação, me ofereci aos nossos rabinos de Beer Sheva para realizar a recitação anual em favor da elevação da alma do meu amigo. Assim passei de mero expectador a partícipe ativo. A pronúncia é um pouco difícil, uma vez que não esta escrito em hebraico, mas sim em aramaico e principalmente a variação conhecida como Kadish DeRabanan, que possui um acréscimo grande e de palavras difíceis. 
Porém do lado espiritual, o Kadish é muito lindo e bonito. Ele tem a função de nos lembrar que devemos aceitar ao Eterno não somente nas horas boas e agradáveis, mas sim em todas as horas, até mesmo naquela que é a mais difícil de todas, na perda de um ente querido. E relembra a função básica do homem enquanto vivo, o serviço de D´s!
 

terça-feira, 25 de maio de 2010

Frase do Dia

"D´s é rigoroso com o justo por uma margem tão estreita como um fio de cabelo."

Sábios da Guemará.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

A Contagem do Omer e a Preparação para Shavuot

Foi com muito prazer e alegria que terminei a reza na segunda-feira, dia 17/05, 04 de Sivan e isto tinha um motivo especial. Pela primeira vez na minha vida lograva realizar completamente a Contagem do Omer nos quarenta e nove dias consecutivos. Ela não foi perfeita. Por duas vezes não cheguei a tempo de rezar o Maariv e tive que realizar a contagem na manhã seguinte, sem brachá. Porém, com excessão destes dois dias, a contagem que iniciei em Beer Sheva logo após Pessach, concluí anteontem, aqui na Mitzpê, a Beit Knesset na qual rezo todos os dias. Baruch HaShem!

domingo, 16 de maio de 2010

A Reza Judaica e Suas Belezas. I

Já faz um bom tempo que venho querendo "criar" esta seção para o meu blog, mas com a correria do dia-a-dia, acabo deixando pra lá e fico só no "querendo".
Como a reza é uma parte importante e ativa da minha vida, e a vivência do ciclo da vida judaica é intensa e muitas vezes profunda, e por ter em minhas mãos o maravilhoso trabalho do Jairo Fridlin "Sidur Completo", posso me deliciar nos seculares e tradicionais textos tão conhecidos do "povo do livro", tanto no texto hebraico, este que ainda começo a conhecer e me aprofundar, como na tradução, que apesar das lágrimas derramadas pelos anjos, nos é de tão profunda importância,  para nós descendentes e vítimas de uma quase completa assimilação, essa terrível e silenciosa inimiga que tanto nos rodeia e nos persegue, principalmente aqueles da galut.
Graças ao Eterno, Bendito seja Seu Nome, no meu caso, ela foi mais uma vez derrotada, e aqui estou, na Terra de meus ancestrais, mergulhando cada vez mais fundo no Mar e Oceano de nossas tradições.
O meu desenvolvimento no hebraico falado e moderno tem sido satisfatório, mas ainda está longe de alcançar o nível que tenho em português. O meu idioma materno está fundamentado numa boa educação tanto materna como oficial, e na leitura de mais de um milhar de livros, sem contar as revistas, jornais e textos avulsos, todos na doce e gentil lingua de Camões.
O Hebraico é santo e sua beleza, santidade, profundidade e filosofia são incomparáveis. Mas meu idioma de berço e aquele que é doce aos meus ouvidos ainda é o velho lusitano, tão influênciado por seu vizinhos e seus modelos de cultura e civilização.
Por isso, quero passar a transcrever aqui, trechos traduzidos das rezas, trechos curtos, mas de uma beleza idescritivel, mesmo com as perdas e desvantagens da tradução.
Como cheguei agora da Sinagoga, depois de Minchá e Arvit, me chamou a atenção o texto que vem logo depois do "Shemá", a benção Gueulá. Ei-la na integra.

" Isto é verdade e firmemente estabelecido conosco, que o Eterno é nosso D´s e ninguém há fora dEle, e que nós, Israel, somos Seu povo. Ele nos redimiu das mãos dos reis; e é Ele nosso Rei, que nos tem salvo das garras dos violentos, o D´s que nos tem vingado dos nossos adversários e tem retribuído proporcionalmente a todos os inimigos das nossas almas. Conservou as nossas almas em vida e não permitiu que os nossos pés tropeçassem. Permitiu que nos colocassemos nas altas posições diante dos nossos inimigos e elevou a nossa glória acima dos que nos odeiam. O que fez milagres e vinganças por nós, no Faraó, com sinais e maravilhas nas terras dos filos de Cham, que feriu na sua cólera, os primogênitos do Egito e fez sair ao Seu Povo do meio deles para a liberdade eterna. Quem fez passar a seus fihos entre as divisões do Mar Vermelho, 
 
a seus perseguidores e inimigos afundou no abismo. Os Seus filhos viram o seu alto poder e eles louvaram e dedicaram ações de graças ao Seu nome, e subjugarm-se espontâneamente ao Seu Reino. Moisés e os filhos de Israel entoam, com entusiasmo, cânticos de alegria e dizem a uma voz:
Quem é entre os poderosos como Tu Eterno? Quem é como Tu, poderoso de magestosa santidade, temido em louvores operando maravilhas? Os Teus filhos viram a Tua Glória, Eterno, nosso D´s, quando Tu fundíste o mar. Unânimes, todos louvaram e reconheceram a Tua realeza, dizendo:
"O Eterno reinará para sempre". E assim é dito"Porque o Eterno redimiu a Yaacob e o livrou da mão do mais forte do que ele. Bendito sejas Tu, Eterno, que redimiste a Israel"

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Frase do dia

Segundo o rav Dr. Y.D. Soloveitchik, em sua obra "Filosofia De La Existencia Judia", página 10:

"Grandes porciones de verdade se encuentran en los principios dialécticos de la filosofía de Heráclito y Hegel en lo concerniente al proceso general de la existencia, lo mismo que en las concepciones de Kierkegaard, Karl Barth y Rudolph Otto en lo que respecta a la conciencia religiosa y a la materialización le la vivencia del creyente en general. Estos sostienen que una gran fuerza de creación se encierra en la antítesis:  la contradicción refuerza la existencia, la oposición renueva la obra de creación, la negación engendra universos y la refutación profundiza y extiende la conviccíon."

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

A grandeza do Mar (Oceano)

Quem gosta de alguém orgulhoso? Ninguém, né!?
Quando digo orgulhoso, quero dizer no sentido de arrogante. Ter orgulho de algo não é necessáriamente ruim, mas sim quando começamos a ter orgulho de nós mesmo... e passamos a crêr que somos melhores do que os outros... e por aí vai... até que começamos a destratar o nosso próximo, uma vez que acreditamos que  "ele" não está na "minha altura".
A tradição judaica é repleta de histórias, contos e lendas com respeito ao orgulho excessivo e como alguns destratavam outros por se acharem melhores.
Uma delas é a que vou contar agora.

*Paróchet do Aron HaKodesh da sinagoga onde eu rezo, Beit Haknésset Mispê, comemorando os sete dias da Criação.


Quando O "HaKadosh Baruchú" estava construindo (Criando) o mundo, chegou o dia de fazer os rios e os mares, semparando as águas dos continentes.
Então O "HaKadosh Baruchú" perguntou pros rios e pro mar, quem deles gostaria de estar mais acima, e quem gostaria de estar em um nível mais baixo.
Os rios orgulhosos de seu comprimentos, de suas correntezas e de seus jardins que floresciam por onde passavam, apressaram-se em oferecer-se para estar num nível mais alto.
A atitude arrogante e de pouco tato dos rios com os mares, não agradou ao "HaKadosh Baruchú", que pensou como castigá-los e dar-lhes uma lição, porém antes perguntou aos mares o que eles pensavam.
Os mares não se importaram com o ocorrido e ainda complementaram: "Seria muito bom ter os ríos num nível acima. Não nos importa de estarmos no nível mais baixo, Senhor dos Mundos."
Então o "Borêh HaOlam" teve uma idéia, e aceitou a proposta como estava.
Naquele dia gloriosos, com estrondos jamais ouvidos e terremotos jamais visto pelo olho humano, as águas e os mares foram separados.
E o que aconteceu? Como o "Borêh HaOlam" recompensou a humildade dos mares e castigou a arrogância e o auto-orgulho dos rios?
Quando todos estavam nos seus lugares, algo inesperado aconteceu. Os rios, em todo o seu esplendor, corriam, saltavam, espumavam, com graça e orgulho, gorgorejos e murmurejos... mas para onde corriam?
No outro extremo, estavam os mares e oceanos... vazios, desolados, mas aos poucos eles foram crescendo... crescendo... e crescendo... e porque? Simples, porque os rios despejavam toda a sua glória em nimguém menos do que nos mares e oceanos.
Assim, com o tempo os mares e oceanos se encheram, até se tornarem aquilo que nós conhecemos hoje, umas das maiores maravilhas da natureza, e somente porque foi humilde o bastante para dar o primeiro e mais alto lugar para outro, e aceitar estar onde, aparentemente é um nível mais baixo.
É por isso que está escrito: "nas tuas mãos, "Adon HaOlamim" está a JUSTIÇA".