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sexta-feira, 23 de março de 2012

A Reza Judaica e Suas Belezas - Bame Madlikin

Está é uma tradicional e linda reza que é dita nas noites de sexta-feira, no Kabalat Shabath, durante a oração noturna para a recepção do Shabath.
Eis aqui um vídeo com a reza na bela voz do Rabino Hagay Batzri.
Na sequencia explicarei o significado, o sentido e a tradução. Não hoje, porque estou correndo para justamente preparar o Shabath, que "entra" daqui umas duas horas.
Shabath Shalom.


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Kabaláh Verdadeira.

Ainda me lembro de
quando estava no Brasil e de transitar pela Kehiláh ouvia aqui e alí sobre cursos de kabaláh, entrevistas com rabinos, professores, pesquisadores da mística judaica.
Se existe uma palavra que pode definir um dos meus aspectos internos, é "desconfiado". Meu primeiro rabino em Israel, ainda em Beer Sheva, rav Israel Wortzman já me havia alertado mais de uma vez sobre minha posição extremamente "defensiva" com relação ao mundo exterior. Fazer o que? As vezes um acaba se tornando aquilo que a vida produz. As mãos se tornam ásperas e grossas pelos calos abertos. Os ombros se tornam largos pelo peso carregado. A pele de tom moreno e resecada pela longa exposição ao sol... cachorro mordido de cobra tem medo de linguiça! Já dizia o velho deitado!
Assim,  para mim parecia extranho que aqueles patrícios reformistas, conservadores ou liberais (com todas as implicações que os termos requerem), pudessem conhecer, entender e ainda mais ensinar algo de Kabaláh.
Não que eu fosse um entendido no assunto. E mesmo hoje não sou. Mas algo não parecia encaixar.
Quando eu lia algo sobre a história da Kabaláh, sobre suas origens, algo simplismente introdutório, mas suficiente para enterder a base.
Moshe Rabeino, Shmuel HaNavíh, Shlomo HaMelech, Ishayahu HaNavih, Eliahou Hanavih, Elisha Hanavih,  Izkyahu Hanavih, Rav Akiva, Rav Shim'on Bar Yochai, Arizal HaKadosh!  O que é que podemos encontrar de semelhante na vida destes homens, Homens com "H" mais do que maiúsculo, gigantes da Torah, da emunah, das mitzvot.
Esses nomes citados, e muitos outros de uma lista imensa, eram homens de uma fé e crença profundamente, perdoem-me pela expressão, "ORTODOXA"!. Quero dizer com isso, com uma aceitação total e completa da Torah Escrita e Oral. Tanto na sua veracidade como na sua literalidade. Para eles a Kabalah era a Causa Primordial de todo o judaísmo. Ela, a Kabalá, não vinha substituir a Torah, os Mandamentos, as Mitzvot, os Juízos, as Leis e os Rituais. A Kabalah sim vinha e vem emprestar, ou melhor, resgatar o verdadeiro e mais profundo e íntimo sentido de todas essas práticas e ensinamentos.
Sendo assim, como uma pessoa que renega a Torah na sua essência, ou seja, a sua autoria divina e inspirada e a sua atemporalidade pode dizer-se estudioso ou mestre de kabaláh?


Agora, porque de toda essa explanação de minha parte. Porque do assunto assim de repente?
Hoje foi um dia especial na minha vida. Como eu disse acima, sempre fui desconfiado, mas na questão da Kabaláh, não que não acreditasse, mas sempre duvidava das pessoas que se diziam conhecedoras da mesma. Afinal de contas dizer que se é Kabalista, não deixa de ser uma questão de status.


HaRav Ben Ish Hai, rabino, kabalista e jurista. Viveu a mais de 150 anos atrás em Bagdad.

Porém aqui em Israel a realidade é outra. Hoje, mais do que nunca, Israel se tornou o centro mundial do Judaísmo, retornando a sua origem de antes da destruição do Segundo Templo.
As únicas correntes aceitas pela grande maioria são as diversas ramificações e expressões da Ortodoxia, desde as mais atualizadas até as mais extremistas e isoladas. No entanto elas possuem uma coisa em comum que é a aceitação plena da Halachá, código de leis que regem a vida do judeu religioso, em todos os aspectos da sua vida cotidiana, mundana e espiritual. O que diverge entre os diversos grupos é a interpretação da Halachá e os costumes que cada grupo trouxe dos países onde estavam exilados.
Como já expliquei anteriormente, agora estou estudando com um rabino que é de um ramo misrachi-haredí, e por isso com forte influência da Mística. O legal que a base de nossos estudos são sempre a Mishnah, a Guemará e a Halacháh. O que estudamos de Kabaláh vem sempre como suporte para o anterior. A Kabalah fornece o Taâm que somente pode ser encontrado no mais profundo do PARDES, no Sod!
Por estarmos no período de Shovavim, esse é o melhor perído para a realização de uma série de "rituais" kabalísticos, como por exemplo o de Tikun Shovavim, que pode ser realizado de uma maneira a englobar varios tipos de Tikunin.
Isso nada mais é do que Kabalah prática!
Um dia de Tson! Minchah realizada segundo o ritual do Mekubal Hakadosh Rav Ben Ish Hai ZTZ'L, Tsedakah e muita, muita kavanot. Uma experiência inesquecível.
Somente tenho a agradecer ao Todo Poderoso por me conceder o privilégio através de Seu Chessed, de poder vir a conhecer, estudar, enternder e participar desse Judaísmo tão original, vivo, vibrante que é o Judaísmo em Israel.
"O POVO DE ISRAEL, NA TERRA DE ISRAEL, VIVENDO A TORAH DE ISRAEL, ENTREGUE A NÓS PELO TODO PODEROSO, ÚNICO E SOBERANO D´S DE ISRAEL".





quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Chanukah - 5772

Este ano foi um ano especial no que se refere a Chanukah.


Desde um pouco antes do Rosh HaShanah, comecei a estudar com um novo Rabino que chegou aqui na minha cidade.
Ele veio a convite e suporte de uma família de amigos meus, olim de Sefarad, que o conheceram no período em que ele foi shaliach na Espanha. Família BenDahan.
Israelense, Rav Avraham Bukobza fala espanhol por ter trabalhado na Espanha, mas também trabalhou por três anos em Yohanesburgo, Africa do Sul.
Ao retornar a Israel, a família BenDahan o convidou para vir para o norte e iniciar um trabalho com olim de fala espanhola.
Assim, me interessei pelos shiurim do Rav. O legal é que a didática dele é tão boa e acessível, que mesmo em hebraico posso compreender bem, senão tudo o que fala.
Rav Bukobza é formado pela linha misrachi-haredí, com forte influência do Rav HaTzadik Mordechai Eliahu ZTz''l que também preza pelo estudo da Kabaláh.
Pela primeira vez  em minha vida de baal-tshuvah, me sento para estudar hassidut e kabaláh. Mudou completamente minha visão do judaísmo. O que antes era para mím um exagero, estremismo e fanatismo, passou a fazer sentido, lógica e a apelar para minhas convicções mais profundas.
Graças ao Kadosh Baruchu, hoje minha vida espiritual foi renovada. Novos caminhos foram descobertos e um novo sabor, uma nova cor, um novo aroma surgiu daquele mesmo judaísmo que eu já conhecia.
E assim foi com Chanukah.

Chanukah não é uma festa judaica com o mesmo peso da Páscoa (Pessach), Shavuot ou Sucot, estas festas bíblicas. Chanukah é uma festa de instituição rabínica, para comemorar e relembrar o milagre acontecido no período do domínio grego-sirío, com o levante e derrota dos exércitos estrangeiros pelos Macabeus, família de origem sacerdotal que encabeçou a rebelião e a expulsão dos helenistas.
Toda essa festa esta cercada de todo um contexto de fé (emunah), de perseverança, de confiança na Providência, no apego a verdade (emet) e aos mandamentos do Único, Bendito Seja.
Depois de mais de um mês de estudos aprofundizados no tema, como Halachot de Chanukah, e Massechet Shabath (21b -24a), aprendemos da importância de acender uma chanukiah (candelabro) com azeite de oliva, ao invés de outros tipos de óleos ou velas, da importância de ser preciso na ordem de acendimento e no tempo determinado pela halachah. Na relevância da Kavanah antes do acendimento e muitos outros pequenos detalhes que podem parecer irrelevantes, mas depois de conhecidos, só fazem aumentar a beleza e o significado da mitzvah.
Assim tive que correr com os preparativos para a festa, com a aquisição de uma bela e ornamentada chanukiah, dos apetrechos para as lâmpadas e a difícil tarefa de encontrar um verdadeiro 100% puro azeite de oliva, original israelense e com certificado especial numerado de procedência e pureza.
Chanukah é também conhecida em hebraico como a Festa das Luzes. E para terminar, algumas fotos que tirei da minha Chanukiah na janela, já que todo o propósito e fundamento da festa, é a divulgação do milagre!