quarta-feira, 7 de março de 2012

Explicando Purim

Purim é uma festividade judaica única. Enquanto as demais festas religiosas enfatizam a espiritualidade – em Chanucá, por exemplo, acendemos velas que simbolizam a alma do homem e a Torá – Purim é guardada cumprindo-se quatro mandamentos, três do quais envolvem alimentos e bebidas.



Precisamos ter uma refeição festiva e abundante; enviar presentes com dois ou mais alimentos prontos para os amigos; doar dinheiro aos pobres, para que eles, também, possam desfrutar da festa; e estar presente na sinagoga para ouvir a leitura da Meguilat Esther. O principal tema de  Purim é a alegria, assim, além dos fartos alimentos e bebidas, realizam-se desfiles e celebrações, e as pessoas e crianças se fantasiam e usam divertidas máscaras.
Purim é uma ocasião festiva, mas pode dar a impressão de ser extremamente materialista. Mesmo a leitura pública daMeguilat Esther aparenta ser despida de espiritualidade, pois entre os 24 livros do Tanach (Torá, Profetas e Escritos Sagrados), é o único que nunca menciona o nome de D’us. Isso parece indicar que D’us não participou na história dePurim.
O mandamento dessa leitura da Meguilá parece ser a antítese das luzes de Chanucá: ao invés de dar publicidade a um milagre Divino, aparentemente aqui há uma negação do mesmo. De fato, podemos perguntar-nos por que a Meguilat Esther foi incluída no Tanach. Não se trata de um livro de mandamentos Divinos, como a Torá, tampouco uma ode a D’us, como o Livro dos Salmos. Pelo contrário, lê-se o Livro de Esther como um romance, onde há heróis e vilãos, tramas de conspirações e assassinatos, amor e sedução, reviravoltas, e, por fim, um final que foi plagiado, repetidamente, por escritores e cineastas: o mal se volta contra quem o iniciou, enquanto os heróis, após passar por um período de turbulência e sofrimento, emergem triunfantes.  Uma história fascinante e divertida, com certeza; mas seus autores acharam por bem não elencar D’us como um de seus personagens.
Um dia no qual comemos e bebemos, vestimo-nos com fantasias, realizamos festas e vamos à sinagoga para ouvir a leitura pública de uma história na qual não se menciona nem uma única vez o nome do Todo Poderoso parece contrário ao espírito do judaísmo. Contudo, nossos Sábios sempre prezaram a festa de Purim e nos ensinaram que deve ser celebrada como o dia mais jubiloso do calendário judaico. Os Cabalistas chegam ao ponto de equipará-la ao dia mais sagrado do ano: eles indicam que Yom HaKipurim literalmente significa “o Dia da Expiação”, mas também, o “Dia comoPurim” (Yom (Ha) ke´Purim). Quanto ao texto que conta sua história, além de ter sido escolhido para integrar o Tanach, aMeguilat Esther foi comentada por nossos maiores Sábios.  Há um tratado inteiro do Talmud – Tratado Meguilá – que discute, entre outros, a Meguilat Esther e a história e as leis de Purim
Mas, se Purim é uma festividade tão sagrada, por que razão seus mandamentos são tão materialistas? E se a Meguilat Esther é um livro sagrado, digno de ser incluído no Tanach, por que razão não faz menção a D’us sequer uma única vez?

Uma história feliz e inesperada
A história de Purim, segundo o relato da Meguilat Esther e a elucidação do Talmud e do Midrash, é uma saga com final feliz e inesperado, constituída por um sem fim de eventos fortuitos – a que muitos chamam de “coincidências”.
O rei da Pérsia, Achashverosh, que reinava sobre um grande império, organizara uma celebração com duração de um semestre. Ele ordenou à sua mulher, a rainha Vashti, que desfilasse nua durante as celebrações, como forma de mostrar sua grande beleza. Normalmente, ela não se teria oposto àquele pedido, no entanto, como havia contraído uma terrível doença de pele, não quis revelar o seu aspecto desagradável. O rei, furioso com sua recusa, fez com que a banissem do reino e a executassem.
Como o rei necessitava uma nova rainha, seus mensageiros saíram em busca de lindas moças, levando-as ao harém real. Uma delas era Esther, que era judia.  Ela também, por “coincidência”, era parenta de Mordechai – líder, à época, do Povo Judeu – que a criara.  Entre todas as mulheres do harém, é com Esther que o Rei se encanta e por quem se apaixona.
Enquanto Esther vive com Achashverosh em seu palácio, Mordechai toma conhecimento de um complô para assassinar o rei. Ele se apressa em levar a informação à Esther. O assunto é investigado e corroborado, sendo executados os que conspiravam contra a vida do soberano. Esther comunica a Achashverosh que fora Mordechai quem os prevenira sobre a conspiração. Inexplicavelmente, Mordechai não é recompensado por ter salvado a vida do rei; mas seu ato heroico é registrado nas crônicas reais.
A trama se intensifica quando Haman – um homem que, como Hitler, era obcecado com a idéia de extirpar o Povo Judeu da face da Terra, de uma hora para outra, sobe ao poder e se torna primeiro ministro do reino. Ele convence Achashverosh – que não sabe que sua amada esposa Esther é judia – a lhe dar permissão de executar uma Solução Final para o Problema Judeu.  Haman estava determinado a executar Mordechai, que se recusa a se curvar perante ele, e, em seguida, a exterminar todos os judeus – homens, mulheres e crianças.


Haman manda construir a forca onde executaria Mordechai. Mas, na noite antes da planejada execução, o rei Achashverosh acorda em meio a seu sono e não consegue voltar a dormir. Pede então a seus serviçais que leiam para ele as crônicas reais. Entre os relatos encontra-se o episódio em que Mordechai havia salvado sua vida. Achashverosh pergunta aos serviçais se Mordechai tinha sido recompensado por tão nobre feito e é informado de que não. O Rei decide que era chegada a hora de pagar sua dívida de gratidão. E assim, no dia em que Mordechai devia ser executado, ele é recompensado pelo rei Achashverosh. Para cúmulo da ironia, o Rei ordena a Haman que ele, pessoalmente, renda o tributo ao líder dos judeus. Este se torna o momento da virada na história: a roda da vida começa a girar para o protagonista e o antagonista.
Enquanto a sorte de Mordechai começa a subir, a de Haman cai vertiginosamente. O clímax ocorre quando Esther – que vinha tramando secretamente com Mordechai uma forma de frustrar os planos genocidas de Haman – finalmente revela a Achashverosh que era judia. O rei desencadeia sua fúria contra Haman, e o vilão é enforcado no próprio patíbulo que construíra para Mordechai.  A história termina com Haman morto, em desgraça. Seus dez filhos malvados também foram enforcados – assim como o foram os dez filhos espirituais de Hitler após os julgamentos de Nuremberg. A Solução Final para o Problema Judeu é frustrada, Esther continua como rainha, Mordechai se torna o novo primeiro ministro do reino e os judeus passaram a ser honrados e favorecidos. Como escreveu Shakespeare: “Tudo bem quando termina bem”...
Mas é bem possível que tudo não tivesse terminado bem se qualquer um dos eventos da história de Purim tivesse sido um pouco diferente. E se a rainha Vashti não tivesse contraído uma doença de pele justo antes das celebrações? E se o rei Achashverosh tivesse sido mais compreensivo e tivesse decidido perdoá-la? E se uma moça não judia tivesse atraído seus olhares e fosse “a eleita” para sua rainha? E se uma moça judia fosse escolhida, mas não Esther – alguém que não conhecesse Mordechai, alguém que preferisse manter sua identidade judaica em segredo, e que não tivesse feito nada para salvar seu povo? E se jamais tivesse havido um complô para matar o Rei? E se Mordechai não tivesse tomado conhecimento de tudo? E se o Rei não tivesse despertado no meio da noite antes da planejada execução de Mordechai? E se outras passagens das crônicas reais, que não aquela sobre o nobre gesto do líder judeu que lhe salvara a vida, lhe tivessem sido lidas? E se Mordechai tivesse sido recompensado por seu ato ao invés de ter um mero registro nas crônicas reais?
Há outros eventos fortuitos na história de Purim. Mencionamos alguns deles para ilustrar que bastava algum acontecimento, de maior ou menor porte, ter-se desenrolado de forma ligeiramente diferente para que a história fosse completamente outra. Mas como devemos interpretar esta cadeia de ocorrências fortuitas? Teriam os judeus sido poupados da aniquilação porque Alguém os guardava – trabalhando por trás dos bastidores para poupá-los? Ou teria a série de coincidências, resultado, em última instância, na salvação dos judeus?


Providência Divina ou simples coincidência?
Falando de modo geral, todos os seres humanos se dividem em dois grupos. Quando algo notável acontece com os integrantes do primeiro grupo, eles o entendem como algo mais do que simplesmente sorte; consideram como evidência de que Alguém zela por eles. Para tais pessoas, tudo é um sinal ou mensagem Divina e nada na vida é simples coincidência. Em contraste, os que pertencem ao segundo grupo, mesmo crentes em D’us, não endossam a ideia da Providência Divina. Portanto, sempre que algo de fortuito lhes ocorre, eles o consideram uma coincidência, e sempre que são confrontados com uma situação de incerteza, sentem-se apreensivos e até temerosos, pois crêem que nós, seres humanos, estamos sós neste mundo, sem ninguém que zele por nós.
Todos nós, judeus e não judeus, nos enquadramos em um desses dois grupos. Interpretamos os eventos felizes em nossas vidas como sinais Divinos, milagres? Ou os vemos como meras coincidências?
À luz desta pergunta, podemos abordar o mistério da Meguilat Esther não mencionar o nome de D’us sequer uma vez. Quem a escreveu? Não foi nenhum dramaturgo laico, mas seus próprios protagonistas: Mordechai e Esther. E foram os membros da Grande Assembleia, os Anshei Knesset Ha’Guedolá – constituída por 120 sábios, escribas e profetas – que  a incluíram entre os 24 livros do Tanach. Os autores da Meguilá omitiram propositalmente o Nome de D’us, e os Homens da Grande Assembleia corroboraram sua decisão, pois a história de Purim tem o propósito de nos ensinar uma lição que é ainda mais profunda do que a que nos é transmitida pelas velas de Chanucá.  Esta lição é que D’us governa Seu mundo enquanto Ele Próprio permanece oculto.  A mensagem da Meguilá é atemporal e universal.
Em Pessach, celebramos os milagres que D’us fez em favor do Povo Judeu na época de Moshé – no Egito e no deserto de Sinai.  Em Chanucácelebramos os milagres que D’us realizou em prol de nossos antepassados na época do segundo Templo Sagrado. Mas, desde então, quando foi que D’us realizou milagres? A Meguilat Esther ensina que o Todo Poderoso nunca cessou de fazer milagres, mas Ele agora trabalha por trás dos bastidores. Para simultaneamente fazer milagres e ocultar a Sua Presença e participação, Ele orquestra os eventos em nossas vidas em uma forma que nos faz imaginar a quem os atribuir: à Providência Divina ou simplesmente à sorte.
Não é apenas a Meguilat Esther, mas Purim como um todo que tem como seu tema básico e subjacente a ocultação Divina. Até mesmo o nome da protagonista da história, Esther, alude a isso. Este nome é derivado da palavra hebraica “Hester”, que significa “ocultação”, e alude ao conceito deHester Panim – a ocultação da “Face Divina”: uma época quando D’us não mais Se revela abertamente.
De fato, Esther nem era mesmo seu verdadeiro nome, que era Hadassah. O nome Esther, muito comum na Pérsia antiga, fora escolhido para ocultar sua identidade judaica até o momento em que ela a tornasse pública.
O costume de usar fantasias e máscaras em Purim também faz referência à ocultação Divina. Como o relato da Meguilá, aparentam ser mero entretenimento, mas transmitem uma séria mensagem: a de que D’us usa um disfarce e uma máscara e estes são o curso natural dos eventos e as leis naturais do mundo, que ocultam a Sua Presença e a Sua Providência. De fato, os Cabalistas ensinam que a palavra hebraica Olam, mundo, deriva da palavra Helem, que significa “oculto”. Vivemos em um mundo no qual seu Criador e Governante – Aquele que verdadeiramente comanda o espetáculo – permanece nas sombras.
O Nome de D’us foi propositalmente deixado fora da Meguilá para servir como uma mensagem e um desafio para todos os judeus e, de fato, para todos os seres humanos: não apenas quando ouvirmos a história de Purim, mas em nossa vida diária, vemos sinais Divinos – milagres ocultos – ou apenas coincidências? Colocando de outra maneira: Estará alguém zelando por nós? Ou nós, os 7 bilhões de seres humanos, estamos completamente sós neste mundo?

Fonte Revista Morashá.





domingo, 4 de março de 2012

O Livro de Ester - A Festa de Purim

Um resumo legal animado com massinha, com audio em hebraico e tradução em Português!



Uma das características marcantes da Festa de Purim é a leitura do Livro de Ester, ou em hebraico, Meguilat (Pergaminho) Ester.


Megillah Benedictions and Illuminations, Painting on Parchment, Italy, eighteenth century Hebraic Section, Library of Congress Photo).



Livro de Ester é um dos livros históricos do antigo testamento da Bíblia, vem depois do Livro de Neemias e antes do Livro de Jó. Possui 10 capítulos.
Conta como Ester, uma jovem judia entre os deportados, se tornou a rainha da Pérsia e como seu primo e tutor Mordekai/Mordoqueu descobriu um complô contra a vida do rei; como o Grão-vizir Haman (Amã) procurou liquidar os judeus; como Ester interveio, arriscando a própria vida; como Haman foi enforcado e os judeus autorizados a fazer um contra-Pogrom, cujo aniversário celebram com a festa dos Purim.
O título deriva do nome de seu principal personagem. Os judeus o chamam de Meghil-láth És-tér, ou simplesmente de o Meghil-láh, que significa "rolo", "rolo escrito", porque constitui para eles um rolo muito estimado.
Uma forte evidência da autenticidade do livro é a Festividade de Purim, ou de Sortes, comemorada pelos judeus até o dia de hoje; no seu aniversário, o livro inteiro é lido nas suas sinagogas. Diz-se que uma inscrição cuneiforme, evidentemente de Borsipa, menciona um oficial persa de nome Mardukâ (Mordecai?), que estava em Susa (Susã) no fim do reinado de Dario I ou no começo do reinado deXerxes I. — Zeitschrift für die alttestamentliche Wissenschaft (Revista de Ciência do Velho Testamento), 1940/41, Vol. 58, pp. 243, 244; 1942/43, Vol. 59, p. 219.
Livro de Ester está de pleno acordo com o restante das Escrituras e complementa os relatos de Esdras e de Neemias por contar o que aconteceu com o exilado povo de Deus na Pérsia.
Naquela época, Hamã, funcionário da corte, vira um homem de confiança de Assuero. Entretanto, ao recusar-se a prestar-lhe as honras que o rei havia decretado que lhe pertenciam,Mordecai ganha o ódio de Hamã que, daí em diante, decide destruir Mordecai e todo o seu povo. É neste contexto que Hamã consulta o Pur para decidir qual seria a melhor data para o extermínio dos judeus. Logo depois, Hamã vai até a presença do rei para convencê-lo do massacre, usando o falso argumento de que os judeus eram um grande povo que não respeitava os decretos do rei. O rei, então, é enganado, e lança o decreto (cujo texto só é encontrado na versão grega) para o extermínio dos judeus, que cairia no dia 13 de Adar, o duodécimo e último mês do calendário hebraico. É a partir daqui que se cria uma grande tensão.
Ester e Mordecai então começam a ficar desesperados, e fazem duas belíssimas orações a Deus, implorando pela vida do povo santo exilado (estas orações só se encontram na versão grega). Então, a rainha Ester, atendendo ao pedido de Mordecai, inicia a sua intervenção junto do rei onde pede pela sua vida e pela do seu povo, denunciando Hamã como o terrível inimigo. Num ato de desespero e durante a breve ausência de Assuero que se retirara por instantes, Hamã pede perdão a Ester e cai sobre ela no divã onde se esta se encontrava. Assuero, que entra nesse momento, imaginando que se tratava de uma tentativa de assédio, manda enforcar Hamã na forca que este preparara para Mordecai.
Um dado importante: as leis decretadas e seladas com o selo do rei não podiam ser revogadas. Por isso, Assuero dá a Mordecai e Ester liberdade para decretarem e selarem com o seu selo e em seu nome, uma lei que se possa opôr à primeira. Assim, é editada uma lei que indicava que todos os judeus do império deviam-se juntar no dia 13 de Adar (o mesmo dia em que estava decretado o extermínio dos judeus), e assim matar todos os que intentassem contra as suas vidas e as suas posses. A pedido de Ester, foi concedido mais um dia para que os judeus perseguissem e matassem os seus inimigos. Assim, nos dias 13 e 14 do mês de Adar, foram mortos, só em Susa, 800 homens e enforcados os dez filhos deHamã. Nas províncias restantes, o número de mortos chegou aos 75.000. No dia seguinte, este acontecimento foi celebrado com banquetes. (fonte: por pura preguiça, Wikipédia)

Música de Purim em Hebraico:





Vitória e Glorinha. Minhas Pequenas Princesas!



As minhas amadas sobrinhas, sapecas levadas da breca, na visita que fizemos ao Parque Estadual da Caverna do Diabo, na sala de exposição e orientação ecológica do Parque. 



A Vitória e a Glorinha são umas graças. Lindas, inteligentes, educadas, precoces, bem como quase todas as crianças de hoje. 
Depois da minha visita ao Brasil, elas me mandaram uns desenhos que elas mesmas fizeram para mim. A Vivi em especial tem mão pra desenhar. Traço, proporção, sombra, equilíbrio de cores, se ela se esforçar e quiser seguir na área, tem futuro. A Glorinha vai atraz da onda da irmã, mas pro tio babão, não importa, eu as amo como se fossem minhas filhas!



Gostei da definição de traços que a Glorinha pôs nesse desenho em aquarela. 





Limpo, proporcional, com perspectiva. A Vivi sabe o que faz. 


A maioria das pessoas não dariam nenhuma importância a um desenho como esse, que  a Glorinha fez.  Principalmente pela falta de alinhamento horizontal da paisagem, onde o rio, a cachoeira, o chão e a árvore estão todos no mesmo plano.  Porém se isso parece infatil pra você, pense que os egipcios  tão bajulados na sua arte antiga, desenhavam da mesma forma!


A minha sobrinha, a Vivi, imagina um "bar/lanchonete" como um lugar para se comer frutas, reflexo da educação alimentar da minha irmã, a mesma que recebemos de minha mãe!


Uma cachoeira.


A Caverna do Diabo, onde passeamos juntos.

A Vivi sabe que eu, assim como meu avô, sou apoixonado por natureza e flores...

Esse foi para marcar minha passagem pela Espanha. 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Saudades, saudades, saudades...

arquitetadeisesoares.blogspot.com
Depois de levantar cedo e correr pra reza antes do amanhecer, voltei pra casa, pelo curto caminho que separa a Beit Knesset do apto onde moro. Hoje não faz frio. Na verdade esta até agradável. Mas mesmo assim havia em mim uma sensação estranha. Não era frio, nem nada que me parecesse conhecido... somente uma sensação...
Cheguei em casa e fui preparar o desjejum, depois de dar comida pros gatos. O judaísmo diz, "primeiros os animais, depois você!" É interessante como eles, mesmo sem relógio, sabem que eu estou chegando com a comida. Quando me dirijo a janela da sacada, lá estão eles, já me esperando... são os meus filhos... hehehehe...
Liguei o PC e pensei, vou ouvir música enquanto faço o desjejum.
Entrei no YouTube e pensei em qual das minhas playlists eu iria ouvir. Difícil escolher, porque além de libriano tenho um gosto tão eclético que abrange desde música folk japonesa, zen, até as baladas de viola que eu ouvia no "Viola Minha Viola" da rede Cultura nos domingos pela manhã!
De repente meus olhos passam pela "Gauchescas", e então resolvo ouvir um pouco da poesia lá do Sul.
Pra quê? Eita saudade que bateu no peito e quase me afogou na amargura de tudo que deixei pra trás.
Não que eu não ame e não esteja satisfeito de tudo que tenho e encontrei aqui. Estou aqui por que escolhi e estar aqui em Israel é parte da realização de um sonho que ainda tem um longo caminho pela frente.
Aqui é minha casa. Este hoje é o meu país, assim como já era no meu coração quando eu vivía em São Paulo, Curitiba, Rio ou Caxias, na Serra. Porém não posso ser ingrato com a Terra que com seios tão fartos me acolheu desde minha infância até minha partida. Além de que o campo, as matas, as vacarias, o cheiro do fogão a lenha, da carne assada no braseiro,  da erva quente e amarga nas manhãs frias e úmidas cobertas pelas cerração, das verduras colhidas alí, ao lado da casa, do milho verde, do vinho nas festas, da família inteira reunida no rancho da "Véia e do Véio", das partidas de carteado até bem tarde da noite (talvez nove e meia da noite!), regadas com histórias antigas de mortos e vivos que insistem em assombrar minhas lembranças, tudo iluminado com luz de lampião e lamparina, pois lá na fazenda ainda não havia chegado luz elétrica nos finais dos anos setenta.
Os cachorros deitados na soleira da porta, o ruído da galinhada e dos patos e marrecos que parecem que não dormem nunca. O grito perdido de alguma alma, viva ou penada na imensidão do sertão afora, que vinha ecoando pelas lombeira da serra ou o latido de uma matilha de cães que talvez tenha se debatido com alguma jaguatirica ou um cateto bravo...
Saudades,  de lá do quarto, ainda bem cedo, (quatro e meia ou cinco da manhã), ouvir o belém, belém da colher no bule do café, minha velha avó preparando o desjejum pro meu velho avô, antes dele e meus tios saírem para a lida da terra. Graças a D´s, Terra deles, que frutificava em uma abundância tão generosa, tão exagerada que era difícil não se emocionar ao ver as colheitas, o arroz dourado, já maduro, cantando na passagem do vento, como se acenando pra quem vinha admirá-lo. O cheiro forte do milharal, com seus pés gigantes (pelo menos era para mim nos meus três ou quatro anos!). A cana que de tão gorda, rachava e estourava no calor do sol, com estalos molhados e açucarados. As laranjeiras, os limoeiros, as bergamoteiras que de tão carregadas que chegavam a quebrar os galhos mais finos.
Lembro de uma árvore especial, uma espécie de Laranja Grande, que devia ter uns 50, 60 anos ou mais. Era enorme, gigantesca, nada que pudesse lembrar uma laranjeira. Sua imponência e majestade lembravam uma rainha, uma deusa minimalista das lendas indíginas da Mata-Atlântica. Suas laranjas eram gigantes e seus galhos eram tão altos que somente os Sábiás, os Majestosos Sabiás, tinham o direito de saborear de seus frutos.
Como esquecer, meu D´s, como esquecer o gostinho da comida feita nas panelas pretas e enegrecidas de ferro?!?! Do feijão com sabor do peixe ou da carne defumada, alí mesmo, pendurada sobre o fogão a lenha! Da banana assada na chapa, do milho ainda com a palha verde, assado dirento no braseiro???!!! Do frango abatido poucas horas antes de servido, dos ovos com as gemas vermelhinhas, ovos as vezes brancos, vermelhos, verdes ou azuis! As vezes a galinha era meio artista plástica e botava um ovo com todas as cores juntas! Minha avó dizia que a galinha podia ter cruzado com algum macuco ou jaó do mato, por isso o ovo era de cor distinta. Galinha infiél era aquela que não respeitava o dono do terreiro, o Galo.
Me lembro deles, bravos, austeros, sérios, orgulhosos, com suas cristas charmosamente pendurada de um lado da cabeça, como um galã frances de filme antigo, mas armados com enormes e afiadas esporas, como um pistoleiro do antigo oeste. Pobre coitado que era casado com uma Galinha!
Como, me digam, como não chorar ao ouvir o som da guitarra, da gaita, da rabeca.
Em pensar que parte de tudo isso já desapareceu. É como se não houvesse existido jamais. Por outro lado é tão vivo e tão real aqui dentro do meu peito, no horizonte da minha memória, que até posso sentir os cheiros, ouvir os ruídos, quase tocá-los...
Mas a vida vai seguindo sua correntesa, forte, impiedosa, dura, devastadora. A vida não é estática. A vida sempre tem que dar lugar a vida. Muitos dos meus já se foram. Eu, com sorte estou no meio do caminho... mas com a forte sensação de que a curva já ficou pra trás. Não ví, não percebi, mas sinto que ela já passou. É que é uma curva tão grande, larga, que agente não costuma perceber.
E sigo assim caminhando para aquele lugar que todos nós conhecemos, sabemos... se bem que a maioria de nós recusa reconhecer e aceitar, mas ele é inevitável. Não acredite nessa sensação que você tem de que é eterno. Não é. Eu não sou. Eles não eram.
Não que eu me preocupe com a morte. Só fico triste porque com a minha morte tudo aquilo que conheci, que ví, que ouví, que tive o prazer de vivênciar vai morrer comigo. Em grande parte já não existe hoje, na realidade, e também vai deixar de existir na minha memória.
A dor de ter perdido tudo isso e de saber que vou perder tudo isso mais uma vez é insondável.
Saudades... palavra doce na boca, mas amarga quando desce, quando os olhos cerram, quando o silêncio bate, quando a memória canta...
Saudades...

O vídeo abaixo traz uma música, que toca tão fundo no meu coração que não podia deixar de pô-la aqui.


Cesar Passarinho - Guri




sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Irã X Israel - As Verdadeiras Intenções do Regime do Iatolá!

Hoje pela manhã, ao dar uma repassada nas notícias antes de começar a preparação para o Shabath, ví essa reportagem no Aurora-Israel. Nela fica clara as verdadeiras intenções do regime iraniano.
Interessante que em todo o momento que foi falado sobre a possibilidade de Israel atarcar o Irã, falou-se somente na destruição do programa nuclear do governo persa, e não da destruição do Irã, da sua população ou coisa semelhante. Já o Irã tem como objetivo destruir a Israel e aos Judeus. O mesmo objetivo da Alemanha Nazista do passado.
A reportagem na sua fonte você pode ver aqui, em espanhol.
A tradução do espanhol para o português foi feita por mim. Me desculpem se não está correta como deveria, mas o tempo na sexta-feira é curto e tenho que preparar Shabath.
Um bom sábado a todos.


Oficial iraní expõe plano para destruir  a Israel en nove minutos



Un web-site vinculado ao  Líder Supremo de Irán, Alí Khamenei, publicou um documento doutrinario enfatizando que a aniquilação de Israel e de todos os judeus é legal e moralmente justificada.
O  artigo sublinha que a oportunidade de eliminar ao  "material corrupto" que é Israel não deve ser desaproveitada – e que tomaría somente nove minutos executá-la.
O dossiê foi escrito por Alireza Forghani, um analista e estrategista de Khamenei, e  está sendo difundido na maioría das paginas de  internet governamentais conservadoras, o que indica que conta com o respaldo do regime de Teherán.
E texto afirma que sería justificada  desde o ponto de vista da jurisprudencia que a República Islámica lance un ataque preventivo contra Israel, a raíz das las ameaças dos líderes de Estado judeu contra as instalações nucleares     de Irã.
O documento afirma  que Israel precisa da aprovação e ajuda dos Estados Unidos para levar adiante um ataque desse tipo, e que devido ao clima pasivo em Washington o momento de atacar Israel  e agora mesmo.
O  artígo descreve os distritos de alta concentração de população judaica (aproximadamente de 5.7 milhões de judeus componen la población total de 7.5 millones de habitantes de Israel).
Forghani destaca que  60 por ciento da população judía pode ser alcançada pelos mísseis Shahab 3, uma vez que os mísseis Sejil, que são extremadamente difíceis de interceptar, poderiam destruir as plantas nucleares de Dimona y Nahal Sorek, a fábrica de armas Rafael, e as plantas de Eilun y Nebrin.
As bases da Força Aérea, os aeroportos, as centrais eléctricas e as instalações de tratamento de aguas también serían objetos da ofensiva de Irã.
O documento conclui que os misseis Ghadar poderiam ser usados para destruir os assentamentos urbanos até que o Estado judío seja apagado do  mapa.
Dias atrás, Khamenei anunciou que Irã apoia a todos os países e grupos que ataquem ao  "tumor canceroso" que é Israel.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Salmo 67




לַמְנַצֵּחַ בִּנְגִינֹת מִזְמוֹר שִׁיר.
אֱלֹהִים יְחָנֵּנוּ וִיבָרְכֵנוּ, יָאֵר פָּנָיו אִתָּנוּ סֶלָה.
לָדַעַת בָּאָרֶץ דַּרְכֶּךָ, בְּכָל גּוֹיִם יְשׁוּעָתֶךָ.
יוֹדוּךָ עַמִּים אֱלֹהִים, יוֹדוּךָ עַמִּים כֻּלָּם.
יִשְׂמְחוּ וִירַנְּנוּ לְאֻמִּים, כִּי תִשְׁפֹּט עַמִּים מִישֹׁר, וּלְאֻמִּים בָּאָרֶץ תַּנְחֵם סֶלָה.
יוֹדוּךָ עַמִּים אֱלֹהִים, יוֹדוּךָ עַמִּים כֻּלָּם.
אֶרֶץ נָתְנָה יְבוּלָהּ, יְבָרְכֵנוּ אֱלֹהִים אֱלֹהֵינוּ.
יְבָרְכֵנוּ אֱלֹהִים, וְיִירְאוּ אוֹתוֹ כָּל אַפְסֵי-אָרֶץ.









Salmo 67

[Salmo de Davi] Exaltar-te-ei, ó ETERNO, porque tu me exaltaste; e não fizeste com que meus inimigos se alegrassem sobre mim.
ETERNO meu D´s, clamei a ti, e tu me saraste.
ETERNO, fizeste subir a minha alma da sepultura; conservaste-me a vida para que não descesse ao abismo.
Cantai ao ETERNO, vós que sois seus santos, e celebrai a memória da sua santidade.
Porque a sua ira dura só um momento; no seu favor está a vida. O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã.
Eu dizia na minha prosperidade: Não vacilarei jamais.
Tu, ETERNO, pelo teu favor fizeste forte a minha montanha; tu encobriste o teu rosto, e fiquei perturbado.
A ti, ETERNO, clamei, e ao ETERNO supliquei.
Que proveito há no meu sangue, quando desço à cova? Porventura te louvará o pó? Anunciará ele a tua verdade?
Ouve, ETERNO, e tem piedade de mim, ETERNO; sê o meu auxílio.
Tornaste o meu pranto em folguedo; desataste o meu pano de saco, e me cingiste de alegria,
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. ETERNO, meu D´s, eu te louvarei para sempre. 






Hatikva-The National Anthem of Israel (Esperança - O Hina Nacional de Israel)

O meu blog, não poderia deixar de ter o mais lindo de todos os hinos nacionais. Esse vídeo é muito bem feito.
Vale a pena dar uma olhada!


sábado, 4 de fevereiro de 2012

Shabath Shirah - O Cântico do Mar

Este Shabath foi um Shabath especial porque nele se realizou a leitura da Torah que se fere à Parashah (Porção Semanal) que relata a travessia do Mar Vermelho pelo Povo de Israel. Na tradição judaica costumamos chamar este shabath de Shabath Shirah, ou seja, o Sábado do Canto, pois neste parashah, depois de presenciar o espetáculo que foi o milagre da abertura do Mar, e a seguinte destruição dos exércitos de Faraó, Moisés e o povo se unem em um Cântico de agradecimento e louvou ao Todo Poderoso, Bendito Seja. O texto deste cântico encontra-se no capítulo 15 do livro do Êxodo e lá podemos admirar a beleza dessa poesia singular, que tem inspirado a fé e a crença de milhões durante milênios.
Porém aqui não vou entrar em aspectos ideológicos ou filosóficos, ainda que este trecho da Bíblia hebraica possua um sem número de comentários de todos os tipos e por todos os ramos de religiões, sábios e estudiosos da Torah.
O que quero sim é postar uns vídeos que tentam, ainda que essa seja uma tarefa difícil, imaginar e ilustrar o que foi esse momento tão grandioso da Manifestação Divina. Somente um parentesis, a Kabalah costuma dizer que  o Eterno se disfarça e se oculta no meio da natureza. Uma pessoa que não preste atenção ou pouco sensível, terá dificuldade de acreditar em Algo que não vê. Aqui entre o elemento fé, crença. Porém no drama da abertura do Mar, o Eterno, Bendito Seja, se revela, e se revela de uma maneira como jamais havia feito e como jamais o fez depois disso.
Deixando de blá, blá, blá... vamos aos vídeos: Primeiro o Classico dos Classicos:





Agora, um vídeo que traz uma melodia linda, mas que possui um erro básico. O vídeo é um trecho do filme "O Príncipe do Egito". Nele o povo entoa o cântico na saída do Egito, como se estivesse comemorando a liberdade adquirida, porém esse não é o relato bíblico. O Cântico somente é entoado após a travessia do Mar Vermelho e a destruição dos exércitos de Faraó. Mas a melodia é tão linda que resolvi postar assim mesmo. Vale a pena, o legal é que esse vídeo tem várias versões em várias línguas, e é legal ver a diferença entre elas:

Português:




O refrão desta música foi baseada no Cântico descrito na Torah. Por isso não poderia faltar a versão em Hebraico!



E porque não ver como isso fica em... Japonês!



O mesmo filme "O Príncipe do Egito", agora mostrando o trecho da travessia do Mar Vermelho. Simplismente lindo!



E assim vai... podia continuar postando vídeos assim sem fim. Mas acredito que já deu pra ter tido uma idéia.
Uma boa semana a todos.


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Kabaláh Verdadeira.

Ainda me lembro de
quando estava no Brasil e de transitar pela Kehiláh ouvia aqui e alí sobre cursos de kabaláh, entrevistas com rabinos, professores, pesquisadores da mística judaica.
Se existe uma palavra que pode definir um dos meus aspectos internos, é "desconfiado". Meu primeiro rabino em Israel, ainda em Beer Sheva, rav Israel Wortzman já me havia alertado mais de uma vez sobre minha posição extremamente "defensiva" com relação ao mundo exterior. Fazer o que? As vezes um acaba se tornando aquilo que a vida produz. As mãos se tornam ásperas e grossas pelos calos abertos. Os ombros se tornam largos pelo peso carregado. A pele de tom moreno e resecada pela longa exposição ao sol... cachorro mordido de cobra tem medo de linguiça! Já dizia o velho deitado!
Assim,  para mim parecia extranho que aqueles patrícios reformistas, conservadores ou liberais (com todas as implicações que os termos requerem), pudessem conhecer, entender e ainda mais ensinar algo de Kabaláh.
Não que eu fosse um entendido no assunto. E mesmo hoje não sou. Mas algo não parecia encaixar.
Quando eu lia algo sobre a história da Kabaláh, sobre suas origens, algo simplismente introdutório, mas suficiente para enterder a base.
Moshe Rabeino, Shmuel HaNavíh, Shlomo HaMelech, Ishayahu HaNavih, Eliahou Hanavih, Elisha Hanavih,  Izkyahu Hanavih, Rav Akiva, Rav Shim'on Bar Yochai, Arizal HaKadosh!  O que é que podemos encontrar de semelhante na vida destes homens, Homens com "H" mais do que maiúsculo, gigantes da Torah, da emunah, das mitzvot.
Esses nomes citados, e muitos outros de uma lista imensa, eram homens de uma fé e crença profundamente, perdoem-me pela expressão, "ORTODOXA"!. Quero dizer com isso, com uma aceitação total e completa da Torah Escrita e Oral. Tanto na sua veracidade como na sua literalidade. Para eles a Kabalah era a Causa Primordial de todo o judaísmo. Ela, a Kabalá, não vinha substituir a Torah, os Mandamentos, as Mitzvot, os Juízos, as Leis e os Rituais. A Kabalah sim vinha e vem emprestar, ou melhor, resgatar o verdadeiro e mais profundo e íntimo sentido de todas essas práticas e ensinamentos.
Sendo assim, como uma pessoa que renega a Torah na sua essência, ou seja, a sua autoria divina e inspirada e a sua atemporalidade pode dizer-se estudioso ou mestre de kabaláh?


Agora, porque de toda essa explanação de minha parte. Porque do assunto assim de repente?
Hoje foi um dia especial na minha vida. Como eu disse acima, sempre fui desconfiado, mas na questão da Kabaláh, não que não acreditasse, mas sempre duvidava das pessoas que se diziam conhecedoras da mesma. Afinal de contas dizer que se é Kabalista, não deixa de ser uma questão de status.


HaRav Ben Ish Hai, rabino, kabalista e jurista. Viveu a mais de 150 anos atrás em Bagdad.

Porém aqui em Israel a realidade é outra. Hoje, mais do que nunca, Israel se tornou o centro mundial do Judaísmo, retornando a sua origem de antes da destruição do Segundo Templo.
As únicas correntes aceitas pela grande maioria são as diversas ramificações e expressões da Ortodoxia, desde as mais atualizadas até as mais extremistas e isoladas. No entanto elas possuem uma coisa em comum que é a aceitação plena da Halachá, código de leis que regem a vida do judeu religioso, em todos os aspectos da sua vida cotidiana, mundana e espiritual. O que diverge entre os diversos grupos é a interpretação da Halachá e os costumes que cada grupo trouxe dos países onde estavam exilados.
Como já expliquei anteriormente, agora estou estudando com um rabino que é de um ramo misrachi-haredí, e por isso com forte influência da Mística. O legal que a base de nossos estudos são sempre a Mishnah, a Guemará e a Halacháh. O que estudamos de Kabaláh vem sempre como suporte para o anterior. A Kabalah fornece o Taâm que somente pode ser encontrado no mais profundo do PARDES, no Sod!
Por estarmos no período de Shovavim, esse é o melhor perído para a realização de uma série de "rituais" kabalísticos, como por exemplo o de Tikun Shovavim, que pode ser realizado de uma maneira a englobar varios tipos de Tikunin.
Isso nada mais é do que Kabalah prática!
Um dia de Tson! Minchah realizada segundo o ritual do Mekubal Hakadosh Rav Ben Ish Hai ZTZ'L, Tsedakah e muita, muita kavanot. Uma experiência inesquecível.
Somente tenho a agradecer ao Todo Poderoso por me conceder o privilégio através de Seu Chessed, de poder vir a conhecer, estudar, enternder e participar desse Judaísmo tão original, vivo, vibrante que é o Judaísmo em Israel.
"O POVO DE ISRAEL, NA TERRA DE ISRAEL, VIVENDO A TORAH DE ISRAEL, ENTREGUE A NÓS PELO TODO PODEROSO, ÚNICO E SOBERANO D´S DE ISRAEL".





quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Chanukah - 5772

Este ano foi um ano especial no que se refere a Chanukah.


Desde um pouco antes do Rosh HaShanah, comecei a estudar com um novo Rabino que chegou aqui na minha cidade.
Ele veio a convite e suporte de uma família de amigos meus, olim de Sefarad, que o conheceram no período em que ele foi shaliach na Espanha. Família BenDahan.
Israelense, Rav Avraham Bukobza fala espanhol por ter trabalhado na Espanha, mas também trabalhou por três anos em Yohanesburgo, Africa do Sul.
Ao retornar a Israel, a família BenDahan o convidou para vir para o norte e iniciar um trabalho com olim de fala espanhola.
Assim, me interessei pelos shiurim do Rav. O legal é que a didática dele é tão boa e acessível, que mesmo em hebraico posso compreender bem, senão tudo o que fala.
Rav Bukobza é formado pela linha misrachi-haredí, com forte influência do Rav HaTzadik Mordechai Eliahu ZTz''l que também preza pelo estudo da Kabaláh.
Pela primeira vez  em minha vida de baal-tshuvah, me sento para estudar hassidut e kabaláh. Mudou completamente minha visão do judaísmo. O que antes era para mím um exagero, estremismo e fanatismo, passou a fazer sentido, lógica e a apelar para minhas convicções mais profundas.
Graças ao Kadosh Baruchu, hoje minha vida espiritual foi renovada. Novos caminhos foram descobertos e um novo sabor, uma nova cor, um novo aroma surgiu daquele mesmo judaísmo que eu já conhecia.
E assim foi com Chanukah.

Chanukah não é uma festa judaica com o mesmo peso da Páscoa (Pessach), Shavuot ou Sucot, estas festas bíblicas. Chanukah é uma festa de instituição rabínica, para comemorar e relembrar o milagre acontecido no período do domínio grego-sirío, com o levante e derrota dos exércitos estrangeiros pelos Macabeus, família de origem sacerdotal que encabeçou a rebelião e a expulsão dos helenistas.
Toda essa festa esta cercada de todo um contexto de fé (emunah), de perseverança, de confiança na Providência, no apego a verdade (emet) e aos mandamentos do Único, Bendito Seja.
Depois de mais de um mês de estudos aprofundizados no tema, como Halachot de Chanukah, e Massechet Shabath (21b -24a), aprendemos da importância de acender uma chanukiah (candelabro) com azeite de oliva, ao invés de outros tipos de óleos ou velas, da importância de ser preciso na ordem de acendimento e no tempo determinado pela halachah. Na relevância da Kavanah antes do acendimento e muitos outros pequenos detalhes que podem parecer irrelevantes, mas depois de conhecidos, só fazem aumentar a beleza e o significado da mitzvah.
Assim tive que correr com os preparativos para a festa, com a aquisição de uma bela e ornamentada chanukiah, dos apetrechos para as lâmpadas e a difícil tarefa de encontrar um verdadeiro 100% puro azeite de oliva, original israelense e com certificado especial numerado de procedência e pureza.
Chanukah é também conhecida em hebraico como a Festa das Luzes. E para terminar, algumas fotos que tirei da minha Chanukiah na janela, já que todo o propósito e fundamento da festa, é a divulgação do milagre!





quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Depois de muito tempo, olha eu aqui travez!

Já faz bastante tempo que eu queria voltar a escrever no meu blog, mas tava sem tempo, ou sem inspiração ou sei lá o que. Agora, hoje, depois de receber minha compu novinha, depois que o técnico pegou a máquina pra programar, resolvi aproveitar a estréia e postar novamente.
Aqui em Haifa, norte de Israel, tá um frio de matar. Estamos recebendo a influência de uma massa de ar polar que veio da Europa Central e Oriental. Chuvendo pra caramba, de uma forma que eu não tinha visto nestes últimos seis anos que estou aqui. Tem gente dizendo que já faz mais de vinte cinco anos que não havia um inverno forte e chuvoso igual a este que estamos tendo agora.
Eu até deveria ter saído pro Kolel e pra Reza, mas a chuva tava tão forte e o frio tá tanto que resolvi ficar em casa, na compu mesmo, vendo uns shiurim na net e pondo a casa em ordem, depois de ter ficado mais de uma semana sem computador e internet.
Leat, leat (devagarzinho...) vou postando umas coisas legais que ví na rede, comentar algumas novas experiências que tenho passado, fotos, vídeos, etc... pena que o tempo é curto.


Um abração.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Narcisos נרקיסים




Em dias tão escuros, somente um narciso (נרקיס) para iluminar um pouquinho a "minha triste, escura e funda" vida.

terça-feira, 29 de março de 2011

Conhecendo as Pessoas.

"O fogo é um elemento curioso; é relaxante e pacífico por fora, porém poderoso e destrutivo por dentro. Oculta algo, não te esqueças, igual às pessoas. Às vezes você tem que se aproximar muito para averiguar o que esconde, e outras você tem que chegar a se queimar para descobrir a verdade..."


                                                                                                                     Tekkonkinkurito. 鉄コン筋クリート

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A Luz de Teus Olhos

Vou reproduzir aqui um texto de Lucki Moshe  que foi publicado no "Aurora Digital". O Texto trata do problema do abuso sexual sob a luz da Torá. Ótimo texto.
Publicado 27/02/2011
LA LUZ DE TUS OJOS
En los días y semanas recientes, los medios de comunicación han estado inundados de acusaciones, evidencias, juicios y sentencias, todos girando en torno a varios actos de abuso. Ya sea el autor una figura religiosa, una estrella de rock u alguna otra persona con poder, en todos esos casos nos entristecemos y horrorizamos por las inocentes víctimas que han sido atacadas.

Dependiendo de la sociedad, ciertos comportamientos, acciones y relaciones son considerados apropiados, mientras que otros no. Una vez que una sociedad determina que algo es abusivo o degradante, entonces se considera incorrecto tanto moralmente como legalmente. Entonces lo que es correcto o incorrecto se convierte en reglas subjetivas, basadas solamente en lo que otros consideran correcto o incorrecto en cualquier momento.

Históricamente, y continuando en el presente, es impactante cómo las mismas acciones pueden influenciar de un lago del espectro en donde son queridas, al otro lado, en donde son horribles y destructivas.

La mayoría de la gente está de acuerdo con que un hermano nunca puede casarse con una hermana. Al ser que nuestra sociedad ha clasificado dicha relación como perversa, no desafiamos para permitirla. ¿Pero qué habría si nuestra sociedad no hubiera tenido problema con esto? ¿Qué hubiera sucedido si hubiera sido aceptado casarse con un hermano, como era en el caso del Egipto de los Faraones? ¿En tal caso, sería súbitamente correcto? En la época Griega, no solo era aceptable, sino que se incentivaba a los hombres mayores a mantener relaciones con chicos (varones) jóvenes pre púberes. No era visto como un abuso. Era visto como una forma normal con la que hombres y niños varones interactuaban.
Hasta hace poco, cuando ciertas leyes se crearon para proteger a la mujer, no había tal cosa como un hombre culpable de violar a su esposa. Siendo que los dos estaban legalmente casados, el gobierno asumía que el hombre estaba en su derecho de mantener relaciones con su esposa, incluso si ella no lo quisiera.

Sin embargo, la Torá tiene una descripción definida bien clara sobre las relaciones que están permitidas, y las que están prohibidas. En algunos de estos casos, puede llegar a ser difícil entenderlos a primera vista. ¿Por qué es que uno es un acto de amor mientras que otro es una abominación? Nuestro problema generalmente surge del hecho que estamos forzando nuestras opiniones y definiciones de correcto vs. incorrecto, moral vs. inmoral, en la Torá. Pero la Torá, no se reduce a nuestras ideas cambiantes. Las definiciones de la Torá no van de acuerdo a lo que en nuestra sociedad es considerado aceptable.
Por ejemplo, entre las prohibiciones, la Torá nos enseña que un hombre no puede casarse con ciertos parientes cercanos, con las ex esposas de ciertos parientes cercanos, una mujer que no ha sido divorciada correctamente de su ex marido, con la hija o nieta de su ex mujer, o con la hermana de su ex mujer durante la vida de su ex mujer.

Estas relaciones no están prohibidas porque son consideradas sobrenaturales. En la sociedad de hoy en día, a muchos les gusta discutir que si algo es natural, y es un deseo innato, entonces debería estar permitido. La Torá nunca niega que uno pueda tener una tendencia o deseo hacia algo prohibido. Es más, todo lo contrario: la razón por la cual hay una prohibición es porque la Torá reconoce que alguna gente pueda tener ese deseo natural hacia tal acción, pero ya que es incorrecta y destructiva, hay una ley que lo prohíbe.

La Torá es extremadamente sensible a todo contacto e interacción entre los sexos. Hay numerosas leyes prohibiendo situaciones en las que un hombre y mujer no pueden estar solos juntos, esto también se aplica a adultos con niños, en donde no se trata de padre e hijo. Más aún, no hay permiso de ningún contacto físico entre cualquier hombre o mujer que no estén casados, u hombre con niña, o mujer con niño.

Para muchos, estas leyes pueden parecer extremas e innecesarias. ¿Cómo puede ser que una niña de primer grado no pueda abrazar al padre de su mejor amiga, o que dos adultos co trabajadores del sexo opuesto no puedan trabajar solos en una oficina para terminar un proyecto importante?
Y aún así, leemos en las noticias, cuántas terribles tragedias pudieron haber sido evitadas si alguien más hubiera estado alrededor. ¿Cuántos pequeños niños y niñas han sido aterrorizados por el abuso de adultos que eran confiables para otros? ¿Con qué frecuencia escuchamos de “cita-violación” y otros terribles ataques en donde una mujer estaba sola con alguien que ella conocía y no temía?

Estas leyes son dobles. Existen para protegernos de los otros y para protegernos de nosotros mismos. Existen porque la Torá sabe, que el tocarse físicamente y la cercanía crecen. La Torá sabe que la sexualidad es increíblemente poderosa. La Torá no ve estas verdades como negativas, sino como fuerzas intrínsecas positivas. La Torá quiere que nosotros queramos crear un lazo y conectarnos con el otro íntimamente. Pero La Torá quiere asegurar que hay, un dador activo y un receptor activo. La Torá quiere asegurar que ambos compañeros están comprometidos en una relación de casamiento en donde su intimidad física es paralela a su lazo espiritual y emocional, y que a través de su amor ellos crearán una unión permanente de su amor y de su relación.

Nuestro primer mandamiento en la Torá es ser fructíferos y multiplicarnos. Nuestra primera Mitzvá es sobre mantener relaciones físicas. Y sin embargo, por su capacidad de ser tan sagrada, tiene la habilidad de convertirse en el acto más impío que hay. La procreación es la forma humana más cercana de emular a nuestro Creador. Así como Él creó el mundo, también nosotros cuando tenemos hijos, en un nivel microcósmico, creamos.

Se nos enseña que una de las únicas características que diferencian a un humano de un animal es nuestra habilidad de tener “Deá vedibur”, entendimiento y habla. Y la Torá hace referencia a las relaciones maritales como “conocimiento” (“Y Adán conoció a su esposa Javá” Génesis 4:1). Las relaciones se entienden como la habilidad de tomar el aspecto más profundo y esencial de uno mismo, y transmitírselo a otro para poder crear una nueva realidad y una representación física del amor de la pareja. Se nos enseña que cada vez que un hombre y una mujer mantienen relaciones en el contexto de un matrimonio divinamente sancionado, se crean almas por medio de su intimidad. A veces esas almas entran en cuerpos físicos, y otras veces permanecen espirituales, pero cada unión íntima crea almas.
Por el poder que tiene la sexualidad, incluso dentro del contexto de un matrimonio, hay circunstancias en las que una pareja tiene prohibido el acercamiento físico. En adición a las veces en las que una pareja se separa por las leyes de pureza familiar, hay otras tres veces en donde la Torá dice que una pareja no puede estar junta. 1) Si uno de ellos está borracho. 2) Si la pareja decidió divorciarse. 3) Si alguno de ellos está pensando en otra persona. Estas tres restricciones nos muestran que para que una pareja pueda mantener relaciones, la mente, corazón, cuerpo y alma deben estar unidos y conectados uno con el otro. Si alguna parte, ya sea física, mental o espiritual, no está en el lugar, entonces lo físico no debería de ocurrir.

Las relaciones físicas están prohibidas en este caso porque para poder crear, ambas personas deben estar completamente conscientes y deseosos de compartir su amor uno con el otro. Si el deseo de relacionarse físicamente surge por algo que no sea este propósito, entonces es el animal dentro de cada uno que busca gratificarse, y aunque los cuerpos estén conectados, el acto causará una grieta y separación entre ambos.
Esta dualidad puede ser vista en la palabra hebrea “Jaia”. “Jaia” significa tanto “vida” como “Animal”. La forma en cómo vivimos y la forma en cómo podemos crear vida es a través del amor y la unión de un ser humano con el otro. Pero cuando usamos nuestro físico no para crear sino para destruir, entonces no somos más humanos, no somos más seres vivos. Es ahí cuando nos convertimos en animales, algo que no piensa, no habla, sólo actúa por su propia gratificación, placer y deseo.
Cuando lo físico es mal usado o abusado, los resultados son increíblemente potentes en las formas más negativas. Aprovecharse de otro ser humano, forzarse a uno mismo cuando no quiere, es la forma más grande e intrusa de violación. En este tipo de situación, hay solo una persona que es el dador y el receptor. El abusador da, pero lo hace para su propia satisfacción y placer, por la tanto, él o ella es el único receptor también. La persona que está siendo aprovechada no es un receptáculo, no es parte de la relación, sino que se convierte en un objeto. Todo momento en el que ambos no están eligiendo a consciencia ni deseando la intimidad, y todo momento en el que la intimidad no es una expresión de amor dentro del contexto de la unión marital, la Torá nos enseña que las motivaciones son incorrectas y destructivas. Si la meta de las relaciones físicas no es crear una unión irrompible ni es una representación de amor que se comparte entre el hombre y la mujer, si no es amor lo que se expresa en ese momento sino que el amor es motivado por el contacto físico, entonces es una humillación más que un cumplimiento, de nuestro mayor poder Divino.
Las leyes intricadas de la Torá con respecto a la sexualidad, matrimonio y relaciones, intentan enseñarnos qué tan poderosos y sagrados pueden ser nuestros cuerpos. Estas leyes tienen la intención de hacernos recordar que somos humanos, y porque somos humanos, en todo lo que hacemos, tenemos elección. Y esa elección es reducirnos a nosotros mismos en un animal de la jungla, o elevarnos al Creador que nos dio vida. Cuando actuamos Divinamente, somos un “nefesh Jaia”, un “alma viviente”; cuando no lo hacemos, somos solo una Jaia, una bestia.
LA LUZ QUE DI-OS creó el primer día de la creación fue muy especial y diferente de la luz que utilizamos a diario. La que conocemos fue creada el cuarto día, cuando Di-os hizo el sol, la luna y las estrellas. El Creador ocultó la luz del primer día la cual recibe el nombre de Or HaGanuz (Luz Oculta-en su Torah-).



sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Frase do Dia

 Pensamento Rabínico

"Neste mundo nada é dado incondicionalmente, e a rede está estendida por sobre toda a vida. E o Banco está aberto, e o Banqueiro dá crédito, e as carteiras de crédito estão abertas, e uma mão toma nota, e aquele que quiser tomar emprestado que venha e que leve; mas os Coletores fazem suas rondas constantemente, e tomam pagamento dos vivos com seu consentimento ou não, pois de início era sabido que o emprestimo não era incondicional; e o julgamento é um julgamento verdadeiro e tudo está pronto para o grande banquete!

                                                        Mishná Avot 3:20 (citado no livro "A Cabala: da comida, do dinheiro e da inveja", do rabino Nilton Bonder- segunda edição - Imago)